A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quarta-feira (08/07), mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o Exército comunicar a ausência de uma espingarda Maestro Arms Company calibre 12, registrada em nome do ex-chefe do Executivo.
O procedimento teve como foco localizar armas, munições, acessórios e documentos de registro que ainda possam estar sob posse direta ou indireta de Bolsonaro. De acordo com a decisão, havia inconsistência entre o número de armamentos oficialmente vinculados ao ex-presidente e aqueles efetivamente entregues às autoridades competentes.
“Sobrevieram aos autos informações indicando divergência entre o quantitativo de armas de fogo regularmente registradas em nome do apenado e aquelas efetivamente entregues, circunstância que evidencia, em tese, o descumprimento da determinação judicial”, escreveu Moraes.
Segundo dados encaminhados ao Supremo, o Batalhão de Polícia do Exército entregou seis das oito armas que se encontravam sob sua guarda. Entre elas, duas pistolas Taurus, um fuzil Springfield Armory, uma espingarda Typhoon, além de pistolas Arex e SIG-Sauer. Faltavam, porém, uma pistola Glock 9 mm — apreendida anteriormente com um integrante do Gabinete de Segurança Institucional — e a espingarda calibre 12 que motivou a operação desta quarta.
A defesa de Bolsonaro sustentou que o armamento ausente nunca saiu das instalações da empresa Maragato BR Importações, em Caxias do Sul (RS), local onde teria sido recebido como presente. Os advogados pediram ao STF que a importadora fosse acionada para confirmar a custódia e providenciar a entrega direta à PF, mas o ministro entendeu que a documentação apresentada não comprovava, de forma satisfatória, a localização exata nem a regularidade da guarda.
Com base nessa avaliação, Moraes autorizou a Polícia Federal a apreender “todas as armas de fogo, munições, acessórios e documentos de registro eventualmente existentes” na residência do ex-presidente. O mandado determinou ainda que qualquer item encontrado fosse imediatamente encaminhado à Superintendência da PF no Distrito Federal.
Após o término da diligência, a equipe de defesa afirmou que nenhum armamento foi recolhido. Em nota, o advogado João Henrique de Freitas classificou a medida como lamentável e reiterou que todas as informações sobre o acervo bélico já haviam sido repassadas às autoridades competentes.
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