Faltando menos de duas semanas para o término do vínculo de Memphis Depay, o Corinthians ainda não conseguiu chegar a um acordo para prolongar a permanência do atacante. O contrato do holandês encerra-se em 31 de julho e, até o momento, a negociação continua emperrada por dois motivos principais: uma dívida que gira em torno de R$ 45 milhões e um equívoco no registro inicial do documento, que irritou o estafe do jogador.
O débito foi acumulado em luvas e direitos de imagem prometidos ao atleta desde a assinatura, valores cujo pagamento foi sendo adiado diante das dificuldades de fluxo de caixa do clube. Para quem acompanha o caso de perto, a pendência financeira é o maior obstáculo, pois Memphis insiste em receber o que lhe é devido antes de discutir qualquer reajuste ou cláusula nova.
Além do montante milionário, um erro burocrático acentuou o desgaste. O Corinthians registrou o contrato em primeira instância com data de validade para 20 de junho, quando o correto seria 31 de julho. Ao perceber a falha, o departamento jurídico tentou a correção, mas perdeu o prazo para retificar o documento sem gerar questionamentos. A falha causou desconfiança entre os representantes do camisa 10 e tornou o diálogo mais cauteloso.
Internamente, as opiniões divergem. Uma ala da diretoria avalia que as chances de renovar diminuem a cada dia, especialmente porque a proposta elaborada prevê redução salarial em relação ao acordo atual. Já o departamento de futebol apoia a continuidade do atacante, destacando a repercussão comercial que o holandês gera no país e a sintonia que ele demonstra com a torcida.
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Como saída, o clube tenta estruturar uma operação financeira que possibilite o parcelamento da dívida, nos moldes da transação usada para quitar parte da compra de Rodrigo Garro junto ao Talleres. A dificuldade, porém, está na falta de ativos livres para oferecer como garantia a bancos ou fundos de investimento, o que reduz o poder de barganha e eleva os juros propostos pelos credores.
Enquanto isso, Memphis mantém a rotina de treinos no CT Joaquim Grava e, publicamente, evita comentar o impasse. A expectativa é de que novos encontros ocorram ainda esta semana. Caso o cenário não evolua até 31 de julho, o atacante estará livre para assinar com outra equipe sem compensação financeira ao Corinthians.
Nos bastidores, dirigentes temem que a saída de um jogador de perfil internacional, contratado com alto investimento, gere repercussão negativa entre torcedores e patrocinadores. Já conselheiros próximos ao presidente defendem prudência fiscal, alertando que a renovação em bases semelhantes às atuais poderia comprometer a folha salarial pelos próximos anos.
O relógio corre, e a definição sobre o futuro de Memphis Depay permanece indefinida. Até lá, o Corinthians tenta equilibrar contas, interesses esportivos e pressão externa para impedir que o assunto se transforme em novo capítulo de crise no Parque São Jorge.
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