O mercado de câmbio voltou a sentir o peso da aversão global ao risco nesta terça-feira, 23/06. O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,89%, cotado a R$ 5,187, no ponto mais elevado de fechamento desde 30 de março. Durante a sessão, a moeda chegou a tocar R$ 5,19, refletindo a busca de proteção por parte dos investidores diante de incertezas externas.
No radar internacional permaneceram os sinais sobre a trajetória de juros nos Estados Unidos. Dados recentes mostraram atividade econômica mais aquecida do que o previsto, reforçando a impressão de que o Federal Reserve poderá manter, por mais tempo, uma política monetária restritiva. A possibilidade de juros altos por período prolongado costuma favorecer o dólar no mundo todo e pressionar divisas de países emergentes, como o real.
Enquanto o câmbio se ajustava, a bolsa brasileira começou o dia em terreno negativo, mas mudou de direção na parte da tarde. O Ibovespa subiu 0,52% e fechou a 171.258 pontos, amparado pela recuperação das ações da Petrobras, de grandes bancos e de empresas sensíveis ao ciclo doméstico. A queda das taxas de juros futuros após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) também melhorou o humor do mercado acionário.
“Melhores práticas recomendam não reagir a choques de oferta”, destacou o Banco Central no documento que detalhou as discussões do encontro realizado na semana passada.
A sinalização de que o Copom pode pausar o ciclo de cortes na taxa Selic, caso o cenário internacional permaneça adverso, reduziu parte do desconforto gerado pelo comunicado inicial, considerado vago sobre os próximos passos da política monetária.
No exterior, o clima foi de cautela. O índice Nasdaq, com forte peso de empresas de tecnologia e inteligência artificial, recuou cerca de 2% em Nova York, após investidores realizarem lucros recentes. Na Europa, números mais fracos de atividade contribuíram para o sentimento defensivo, reforçando a preferência por ativos considerados mais seguros.
O mercado de commodities também sentiu a mudança de humor. O petróleo Brent para setembro cedeu 0,93%, fechando a US$ 76,80 o barril, enquanto o WTI para agosto caiu 0,88%, a US$ 73,21. Operadores acompanham as negociações entre Estados Unidos e Irã e possíveis impactos no fluxo pelo Estreito de Ormuz. A perspectiva de aumento de oferta, caso haja flexibilização das restrições ao petróleo iraniano, pressionou as cotações.
Os próximos dias seguirão marcados pela expectativa em torno do índice de preços de gastos com consumo (PCE) dos Estados Unidos, principal termômetro de inflação monitorado pelo Fed. Se o dado vier acima do consenso, o movimento de busca por segurança poderá se intensificar, mantendo o dólar próximo dos níveis atuais e testando a resistência dos ativos de risco.
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