O mercado financeiro enfrentou um pregão tenso nesta quarta-feira (24/06), e o reflexo imediato apareceu no câmbio. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,202, alta de 0,28%, depois de tocar R$ 5,22 nas primeiras horas de negociação. Trata-se do maior valor de fechamento desde 30 de março, marcando o segundo avanço consecutivo da moeda norte-americana.
O movimento teve como pano de fundo a expectativa de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, adote postura mais firme contra a inflação. Investidores aguardam a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), termômetro preferido do Fed, para calibrar apostas sobre novos aumentos nos juros. A perspectiva de menores estímulos à maior economia do planeta eleva o rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano e puxa capital para fora de mercados emergentes, como o Brasil.
No exterior, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes, trabalhou perto das máximas em mais de um ano, acumulando valorização aproximada de 3% em 2026. Essa força global reduziu o apetite por operações de carry trade no Brasil — estratégia na qual o investidor se financia em países de juros baixos e aplica onde as taxas são mais altas. Analistas lembram que a distância entre a Selic e os rendimentos oferecidos nos EUA vem encolhendo, diminuindo o prêmio recebido aqui.
B3 também sentiu o clima de aversão a risco. O Ibovespa caiu 0,44%, aos 170.506 pontos, após três sessões de ganhos. Durante a manhã, o índice chegou a operar no azul, mas perdeu fôlego acompanhando a retração das ações de petróleo e mineração. A queda do Brent, referência internacional, derrubou papéis de companhias do setor e contaminou empresas ligadas a metais básicos. Bancos também pressionaram o indicador, enquanto ações mais ligadas ao consumo doméstico escaparam do tombo, favorecidas pela leve baixa nas taxas futuras de juros.
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O petróleo completou a terceira sessão de perdas. O contrato do Brent para setembro recuou 3,81% e terminou a US$ 73,87 o barril; já o WTI para agosto caiu 3,92%, a US$ 70,34, chegando a operar abaixo de US$ 70 durante o dia. A melhora no fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz e sinais de avanço nas conversas entre Estados Unidos e Irã esfriaram prêmios de risco, contribuindo para o desânimo dos investidores com o setor de energia.
No cenário doméstico, a perspectiva de uma política monetária norte-americana mais restritiva reforçou dúvidas sobre a trajetória da Selic. Parte do mercado avalia que o Banco Central brasileiro terá menor espaço para cortar juros, justamente quando a economia precisa de estímulos para sustentar o ritmo de recuperação. Esse impasse também reduz o brilho dos ativos locais.
Apesar do tom negativo, especialistas lembram que o quadro segue sujeito a mudanças rápidas. A divulgação do PCE, prevista para os próximos dias, pode recalibrar apostas. Além disso, a temporada de balanços do segundo trimestre — que começa em julho — trará pistas sobre o impacto dos juros altos nos resultados corporativos. Até lá, a tendência é de volatilidade elevada tanto no câmbio quanto na bolsa.
A recomendação entre gestores continua sendo cautela redobrada, especialmente em estratégias dolarizadas e em setores que dependem de preços de commodities. Por outro lado, empresas voltadas ao mercado interno e menos expostas ao cenário externo podem ganhar tração caso as expectativas inflacionárias permaneçam ancoradas.
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