Dezenas de drones ucranianos atingiram São Petersburgo na madrugada deste sábado (4), deixando em alerta a segunda maior cidade da Rússia e berço político do presidente Vladimir Putin. Segundo a administração municipal, ao menos um dos equipamentos alcançou um terminal petrolífero no distrito de Kirovsky, provocando princípio de incêndio rapidamente contido. Não houve vítimas.
O governador Alexander Beglov afirmou que as equipes de emergência controlaram a situação logo após a explosão.
“O ataque atingiu a área de um terminal petrolífero no distrito de Kirovsky. As consequências técnicas foram resolvidas e não houve vítimas”,
detalhou o dirigente local ao atualizar o balanço oficial.
Outro drone caiu no histórico complexo de Peterhof, famoso pelos palácios e jardins do período imperial. Autoridades do patrimônio confirmaram que não foram registrados danos estruturais nem feridos entre funcionários ou visitantes.
Em pronunciamento, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, disse que a ofensiva também mirou a base naval russa de Kronstadt, situada em uma ilha estratégica na região metropolitana da cidade.
“As forças de defesa da Ucrânia atacaram infraestruturas petrolíferas portuárias que financiam a guerra travada pela Rússia, e executaram golpes bem-sucedidos contra Kronstadt, um alvo militar relevante”,
declarou o líder ucraniano.
Fontes militares de Moscou relatam ter derrubado mais de 70 drones sobre São Petersburgo e, em operações paralelas ao longo da fronteira, cerca de 500 aeronaves não tripuladas e dez mísseis Flamingo. O Ministério da Defesa russo prometeu retaliação “proporcional”.
A investida de Kiev ocorre poucos dias depois de um bombardeio russo contra a capital ucraniana que deixou 30 mortos, segundo dados oficiais de Kiev. Horas antes do ataque a São Petersburgo, mísseis russos atingiram a cidade de Sumy, no norte da Ucrânia, matando quatro pessoas, entre elas uma criança.
No front interno ucraniano, o Ministério Público registrou pelo menos cinco feridos em Kramatorsk, incluindo um menino de 11 anos. Autoridades regionais de Dnipropetrovsk citaram nove pessoas machucadas, enquanto em Zaporizhzhia houve notificação de cinco feridos após novos bombardeios.
O confronto armado também se desloca para o leste, onde persistem versões conflitantes sobre o controle de Kostyantynivka. Na sexta-feira (3), o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, garantiu que as forças russas detêm “totalmente” a localidade. Na sequência, Putin apareceu de uniforme militar diante do Estado-Maior, agradecendo aos soldados e classificando a eventual tomada da cidade como de “importância estratégica maior”.
Zelensky rebateu na manhã de hoje, chamando a declaração de
“outra mentira russa”
em postagem nas redes sociais. A batalha por Kostyantynivka, que abrigava cerca de 78 mil habitantes antes de 2022, segue sem veredicto definitivo desde o fim de 2025.
Com o prolongamento do conflito — que já ultrapassa quatro anos e é considerado o mais grave na Europa desde 1945 — iniciativas diplomáticas mediadas pelos Estados Unidos perderam espaço na agenda internacional, ofuscadas pela escalada de violência no Oriente Médio. Enquanto isso, as trocas de ataques aéreas entre Rússia e Ucrânia evidenciam a aposta crescente de Kiev em drones de longo alcance para levar a guerra ao território russo e atingir setores considerados vitais para o financiamento da ofensiva de Moscou.
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