O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 09/07, que a retirada do subsídio sobre os combustíveis ficará para a próxima semana. Segundo ele, a escalada do preço internacional do petróleo, que voltou a ultrapassar a marca de US$ 80 por barril, exige cautela antes de qualquer mudança na política de preços.
O subsídio temporário foi criado para amortecer o impacto da volatilidade externa no bolso do consumidor. Nos últimos dias, porém, o conflito geopolítico que pressiona a oferta do petróleo fez os preços dispararem outra vez, reabrindo a discussão dentro do governo. Durigan explicou que o cenário se tornou mais complexo do que o projetado quando a equipe econômica desenhou o cronograma de retirada do benefício.
“Ontem o petróleo voltou a subir para US$ 80 e aí temos que adotar cautela. Esta semana eu ia anunciar a retirada da gasolina; vou analisar na próxima semana porque o preço já está com um impacto diferente do que eu previa. O que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, seja parcial ou totalmente, como próximo passo”, declarou.
Mesmo com a indefinição sobre a gasolina, o ministro assegurou que o aumento da mistura de etanol está mantido e deve ocorrer nos próximos dias. A elevação para E32, que leva a proporção de etanol anidro na gasolina a 32%, continua no radar da equipe energética.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) teria reunião nesta semana para selar o ajuste, mas o encontro foi suspenso por causa dos efeitos do conflito internacional sobre variáveis de mercado. Durigan garantiu que o adiamento do colegiado não compromete a decisão técnica já tomada.
“Como estávamos com mudança nos indicadores durante a reunião, vamos aguardar para avaliar se há outra medida necessária no CNPE. Isso não afeta a decisão do E32”, pontuou.
Sobre o diesel, o ministro disse que o governo pretende ampliar o teor de biodiesel ainda em 2026. Técnicos do Ministério de Minas e Energia avaliam se a frota nacional comporta um porcentual maior sem impactos na manutenção dos motores. A data exata da mudança, no entanto, dependerá das conclusões desse estudo de viabilidade.
Economistas calculam que cada variação de US$ 1 no Brent acrescenta cerca de R$ 0,06 ao litro da gasolina nas refinarias. Com a inflação sob controle próximo ao centro da meta, Durigan enfatiza que qualquer alteração no subsídio deve equilibrar responsabilidade fiscal e proteção do consumidor. A Fazenda também acompanha a arrecadação de ICMS para evitar repasses abruptos aos estados.
O ministro reforçou que a prioridade continua sendo manter a previsibilidade do mercado interno: caso o petróleo estabilize abaixo de patamares críticos, a retirada total do subsídio poderá ocorrer de forma escalonada. Até lá, a decisão ficará sob análise constante do gabinete econômico.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.




