O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta sexta-feira (03/07) que o Brasil já tinha aberto investigações contra pessoas físicas e empresas suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) antes mesmo de o governo dos Estados Unidos anunciar sanções contra esses alvos. Segundo o ministro, as apurações vinham sendo conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal, com troca de informações entre autoridades brasileiras e norte-americanas.
“Essas organizações são, de fato, muito ruins e causam terror social no Brasil. O que nos deixa apreensivos é o grau de interferência dos Estados Unidos sem que se saiba, com clareza, quais serão os próximos passos”,
ressaltou Durigan, em entrevista concedida na manhã de hoje. Ele reiterou que o governo brasileiro mantém “compromisso inequívoco” com o combate ao crime organizado e que, por isso, já havia monitoramento sobre os empresários brasileiros Stella Stefanie Nunes e Victor Henrique de Oliveira Shimada — os primeiros nacionais incluídos na lista de sanções dos EUA após a classificação do PCC como organização terrorista internacional pelo governo do presidente Donald Trump.
Mais cedo, a direção da PF informou que a operação deflagrada nesta sexta-feira tinha sido planejada antes da divulgação das penalidades impostas pelos EUA. Contudo, a corporação decidiu antecipar o cumprimento dos mandados de busca e apreensão para evitar eventuais fugas ou destruição de provas.
“Essas pessoas físicas e essas empresas já estavam sendo investigadas no Brasil. A operação de hoje comprova que o trabalho vinha sendo feito havia algum tempo”,
completou Durigan. De acordo com a PF, foram mobilizados agentes em diferentes estados para cumprir ordens judiciais nas residências e nos endereços comerciais de Nunes e Shimada. Ambos são suspeitos de oferecer facilidades financeiras a integrantes da facção criminosa.
Apesar da preocupação manifestada pelo ministro com uma possível “zona de ataque” à soberania nacional, Durigan frisou que o intercâmbio de dados permanece. Ele explicou que as autoridades brasileiras notificaram previamente Washington sobre o andamento das investigações e ressaltou que a colaboração internacional segue dentro dos protocolos legais.
Os nomes de outros investigados continuam sob sigilo, e eventuais denúncias serão encaminhadas ao Ministério Público Federal após a conclusão dos laudos periciais. A Receita Federal também participa do cruzamento de informações bancárias e fiscais para rastrear lavagem de dinheiro e movimentações suspeitas em empresas de fachada.
Na avaliação de especialistas ouvidos pela reportagem, a rapidez na execução da operação demonstra “maturidade institucional” da PF e reforça a mensagem de que o Brasil não depende unicamente de iniciativas estrangeiras para enfrentar o crime organizado. O Ministério da Fazenda, por sua vez, informou que análises sobre mecanismos de controle de capitais estão sendo aprimoradas para reduzir brechas que permitam financiamento de facções.
Ao final da entrevista, Durigan reafirmou que o combate ao crime organizado “não tem fronteiras” e que o governo continuará atuando em conjunto com agências internacionais, “sem abrir mão da autonomia investigativa brasileira”.
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