Em entrevista concedida nesta semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o principal entrave ao crescimento da economia brasileira continua sendo a taxa básica de juros, atualmente fixada em 14,25% ao ano. Segundo ele, esse patamar elevado freia investimentos produtivos, onera o serviço da dívida pública e amplia as incertezas dos agentes econômicos.
Durigan argumentou que, apesar de o debate público muitas vezes apontar o cenário fiscal como causa direta dos juros altos, a responsabilidade recai sobre uma combinação mais ampla de fatores. Para o ministro, o próprio Ministério da Fazenda é “o menos culpado” pelo ambiente de aperto monetário, embora tenha papel fundamental na construção de condições que permitam a flexibilização futura da política do Banco Central.
“Eu não estou procurando culpados. Quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda por conta da taxa de juros”, afirmou.
O ministro recordou que juros nessa magnitude impactam de forma direta o estoque da dívida. Na visão dele, reduzir esse custo passa por uma sintonia fina entre política fiscal e monetária. Por isso, defendeu a continuação do ajuste nas contas públicas, reiterando a importância de manter o arcabouço fiscal recentemente aprovado pelo Congresso Nacional.
“O Brasil tem que seguir fazendo um esforço fiscal grande, não é pequeno, para limitar o crescimento da dívida pública”, destacou.
Durigan também alertou para a necessidade de conter a expansão das despesas obrigatórias — como Previdência, salários e benefícios sociais — a fim de preservar espaço orçamentário para investimentos e custeio da máquina pública. Caso contrário, explicou o ministro, gastos discricionários ficariam comprimidos, prejudicando a execução de políticas de infraestrutura, saúde e educação.
“Isso vai precisar ser feito, mas sem descartar o arcabouço fiscal. É ele que vai nos permitir acomodar a trajetória de receita e despesa no país”, ressaltou.
De acordo com Durigan, a conjuntura macroeconômica exige “harmonizar” decisões de política monetária e fiscal para enfrentar a inflação de forma eficaz e, ao mesmo tempo, preservar margem para a expansão de setores produtivos. Ele reforçou que a preocupação com a escalada de preços é compartilhada pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central, e que qualquer enfraquecimento do compromisso fiscal tende a provocar reações negativas nos mercados, refletindo-se justamente na curva de juros.
O ministro encerrou a conversa enfatizando que a credibilidade fiscal constitui pré-condição para que o Copom possa, em momento oportuno, iniciar um ciclo consistente de cortes na Selic. Dessa forma, defendeu que todas as áreas do governo atuem em conjunto para reforçar o sinal de responsabilidade com as contas públicas, elemento que, a seu ver, pode destravar investimentos e sustentar a retomada do crescimento econômico de maneira mais sólida e duradoura.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.




