O governo dos Estados Unidos concedeu o Green Card ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, autorizando-o a residir e trabalhar em território norte-americano com direitos semelhantes aos de um cidadão. O documento, oficialmente denominado Permanent Resident Card, é emitido pelo Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) e costuma ser solicitado por estrangeiros que desejam estabelecer residência permanente no país.
A concessão ocorre em um momento de clima diplomático tenso entre Brasília e Washington. Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros. A sobretaxa, porém, exclui etanol, carne bovina e café, e entrará em vigor em 22 de julho. De acordo com a Casa Branca, a decisão foi amparada na Seção 301 do Código de Comércio norte-americano, que investigou práticas brasileiras em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento.
Durante teleconferência com jornalistas em 15 de julho, o chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamierson Greer, afirmou que o inquérito “identificou medidas brasileiras consideradas lesivas aos interesses econômicos dos EUA”.
O cenário se agrava pela situação jurídica do próprio Eduardo Bolsonaro. Em 16 de junho, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou o ex-parlamentar a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. A Procuradoria-Geral da República sustenta que ele teria influenciado autoridades norte-americanas a adotar sanções contra o Brasil e membros do Judiciário, numa tentativa de conter o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Não é função do deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país. Mesmo se estivesse no exercício do mandato, não estaria acobertado pela imunidade parlamentar”,
afirmou o relator, ministro Alexandre de Moraes, ao proferir seu voto.
Com a autorização de residência norte-americana em mãos, a volta de Eduardo ao Brasil para cumprir a pena torna-se mais incerta. Embora acordos de cooperação jurídica prevejam a extradição de condenados, o processo depende de solicitações formais e avaliações de ambas as justiças.
Analistas em relações internacionais observam que a combinação de atritos comerciais, pressões ambientais e questões judiciais envolvendo figuras políticas relevantes amplia a complexidade do diálogo bilateral. Para especialistas, o Brasil precisará reforçar canais diplomáticos se quiser mitigar os impactos das novas tarifas e evitar que o episódio afete outros setores da economia.
Enquanto isso, produtores brasileiros de aço e manufaturados calculam possíveis perdas e buscam alternativas de mercado, ao mesmo tempo que aguardam detalhamentos sobre eventuais contrapartidas ou isenções adicionais. A expectativa é de que a medida protecionista norte-americana seja tema central de reuniões técnicas previstas para os próximos dias.
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