O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, afirmou na terça-feira (7) que o atual chefe do Executivo, Gustavo Petro, prepara um golpe de Estado para impedir a transferência de poder marcada para 7 de agosto. Em declaração transmitida por redes sociais, o advogado de direita rompeu oficialmente a cooperação com o governo cessante e ordenou aos comandantes militares que “protejam a institucionalidade”.
“Petro e Cepeda iniciaram seu Plano B para permanecer no poder a todo custo. Querem fazê-lo por meio de um golpe de Estado”, disse De la Espriella, referindo-se também ao senador Ivan Cepeda, derrotado no segundo turno presidencial.
A acusação, contudo, veio sem apresentação de provas. Mesmo assim, o clima político ficou ainda mais tenso num país que vive sucessivas crises desde a eleição de Petro, primeiro líder de esquerda a chegar à Casa de Nariño. Observadores internacionais e o Tribunal Eleitoral já validaram o pleito de junho, mas Petro não reconheceu o resultado.
De la Espriella venceu a disputa por margem apertada e contou com o apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Autodeclarado libertário na linha do argentino Javier Milei, ele promete enxugar gastos públicos em 40%, atrair investimento privado e abandonar negociações de paz com grupos armados, preferindo combatê-los militarmente.
Ao mesmo tempo, o presidente eleito declarou ter conduzido uma “auditoria minuciosa” que, segundo ele, encontrou falhas graves no combate ao narcotráfico, na concessão de contratos estatais e na gestão do sistema de saúde durante a gestão Petro. Como consequência, determinou à equipe de transição que suspenda imediatamente qualquer diálogo com o governo atual.
“Ele sabe que o farei pagar por todos os seus crimes dentro da lei, e é por isso que está em pânico”, afirmou o futuro mandatário, reafirmando o plano de acionar tribunais nos Estados Unidos contra Petro e aliados.
Petro, por sua vez, convocou manifestações nacionais para 20 de julho, data em que pretende fazer um discurso de despedida à nação. A base do governo eleito teme atos semelhantes aos protestos massivos ocorridos entre 2019 e 2021, quando dezenas de pessoas morreram em confrontos com as forças de segurança.
Organizações civis pedem moderação. Analistas políticos recordam que, sem indícios concretos de conspiração, a retórica de golpe pode aprofundar a polarização e afetar a confiança em instituições como o Exército e a Justiça Eleitoral. A expectativa é que o Congresso, presidido por uma coalizão de centro-direita, exerça papel crucial na mediação da crise até a cerimônia de posse.
Enquanto isso, o país acompanha atento cada movimento: a oposição insiste na legalidade da contestação, líderes empresariais cobram estabilidade para garantir fluxo de capitais e grupos de direitos humanos alertam para o risco de repressão em manifestações. Restam quatro semanas até 7 de agosto—tempo suficiente para negociações de bastidores ou para a escalada de um impasse que pode redefinir a democracia colombiana.
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