O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência em 2026, participou de audiência convocada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para discutir a possível cobrança de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano. Durante a sessão, realizada no formato virtual, Flávio apresentou argumentos em defesa do sistema de pagamentos instantâneos Pix, criado em 2020, ainda no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o parlamentar, o Pix nunca representou ameaça ao sistema financeiro, mas, ao contrário, funcionaria como modelo complementar para os meios de pagamento eletrônicos adotados nos Estados Unidos. Ele sustentou que a ferramenta ampliou a inclusão bancária no Brasil e reduziu custos de transação para empresas e consumidores.
Ao tratar diretamente das tarifas em estudo, Flávio solicitou a suspensão da medida. Para o senador, a manutenção da proposta criaria entraves imediatos às exportações brasileiras e inviabilizaria eventuais ajustes diplomáticos que, no seu entender, poderiam ser alcançados em menos de três meses. “Se o tarifaço avançar agora, o cenário eleitoral de 2026 pode alterar radicalmente a relação comercial e tornar quase irreversível um prejuízo que recairá sobre a população de ambos os países”, argumentou.
No decorrer da audiência, o senador criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF) pela retirada de conteúdos em redes sociais dos Estados Unidos que envolviam temas da política brasileira. Ele também associou casos de corrupção, como os escândalos do Mensalão e desvios no INSS, a gestões petistas, afirmando que o período do governo de Jair Bolsonaro não teria registrado irregularidades dessa magnitude.
“Sobre isso, não há divergência. Mas a corrupção tem responsáveis identificáveis. A corrupção tornou-se uma característica marcante da esquerda política brasileira. O povo brasileiro não deve ser punido por isso.”
Além de Flávio, a audiência contou com a inscrição de aproximadamente 40 entidades brasileiras e norte-americanas. Entre elas estavam a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Embraer. Cada participante teve até cinco minutos para defender suas posições contra ou a favor da taxação, podendo ser questionado em seguida pelos representantes do USTR.
A investigação foi aberta em 15 de julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, dispositivo que autoriza Washington a apurar práticas consideradas desleais por parceiros estrangeiros. O USTR analisa seis pontos: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
O governo brasileiro, por intermédio do Itamaraty, já contestou formalmente as conclusões preliminares do USTR. Em documento enviado no início de junho, a chancelaria alegou ausência de nexo legal entre atos brasileiros e prejuízos concretos ao comércio americano. O texto diplomático pediu aos Estados Unidos que se abstenham de adotar medidas unilaterais e classificou como “insuficiente” a fundamentação apresentada para justificar sanções.
Dentro do cronograma oficial, o USTR ainda deverá reunir os depoimentos colhidos, publicar um relatório e decidir se recomendará ou não a aplicação das tarifas. Enquanto isso, setores produtivos brasileiros acompanham o desfecho, temendo impactos sobre um intercâmbio que soma dezenas de bilhões de dólares por ano.
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