Em uma movimentação que aprofunda a cooperação aeroespacial entre Brasil e Suécia, Embraer e Saab anunciaram nesta terça-feira (21) a assinatura de um Head of Agreement (HoA) para a produção de 20 caças Gripen adicionais no complexo industrial da fabricante brasileira em Gavião Peixoto (SP). O entendimento consolida a linha nacional como a única do modelo fora de Linköping, reforçando o papel estratégico de Gavião Peixoto na cadeia global de defesa.
Pelo memorando, a Embraer será responsável pela montagem completa das aeronaves, dividindo a carga de trabalho com a unidade sueca. A ampliação busca dar flexibilidade ao programa, atender à demanda futura de clientes civis e militares e acelerar prazos de entrega.
“Estamos muito bem posicionados para apoiar o aumento da capacidade de produção e buscar futuras oportunidades de negócios em mercados ao redor do mundo”, afirmou Bosco da Costa Junior, presidente da Embraer Defesa & Segurança.
A parceria entre as duas companhias já tem mais de uma década. Em 2014, a Força Aérea Brasileira (FAB) fechou contrato para a compra de 36 caças Gripen. Desde 2020, 12 aeronaves foram entregues, e a linha brasileira foi oficialmente inaugurada em maio de 2023. No fim de março de 2026, a primeira aeronave supersônica totalmente fabricada em solo nacional foi apresentada publicamente, marcando um avanço tecnológico para a indústria de defesa.
O novo acordo tem potencial para elevar para 56 o total de caças produzidos para a FAB, considerando o pedido original. Também abre caminho para exportações, como antecipou o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, durante a cerimônia de entrega do primeiro Gripen montado no país.
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“Vemos oportunidades na Colômbia e em outros países”, declarou Gomes Neto à época.
Em dezembro de 2025, a Saab firmou com o governo colombiano um contrato estimado em 3,1 bilhões de euros para o fornecimento de 17 caças Gripen E/F, com entregas previstas entre 2026 e 2032. A expectativa é que parte da produção passe por Gavião Peixoto, aumentando o protagonismo brasileiro no programa.
“Juntos, estamos fortalecendo nossas capacidades, garantindo capacidade adicional para futuras oportunidades de negócios e adotando uma abordagem voltada para o futuro para apoiar as necessidades em evolução de nossos clientes em toda a região”, destacou Micael Johansson, presidente e CEO da Saab.
Especialistas do setor apontam que a combinação de engenharia sueca com a infraestrutura industrial brasileira cria um ecossistema favorável à transferência de tecnologia, formação de mão de obra altamente qualificada e geração de empregos. A Embraer, por sua vez, ganha lastro para disputar novos mercados e diversificar o portfólio de defesa.
O cronograma detalhado de produção dos 20 caças adicionais será definido após a conclusão dos estudos técnicos e financeiros previstos no HoA. A expectativa das companhias é que as primeiras fuselagens entrem na linha final de montagem em 2027, mantendo um ritmo capaz de atender simultaneamente aos compromissos com a FAB e aos potenciais pedidos internacionais.
Com a assinatura do acordo, Gavião Peixoto se consolida como polo de alta tecnologia e reforça a presença do Brasil no mapa global da aviação militar, enquanto a Saab amplia sua rede de manufatura avançada para além da Europa.
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