A pré-campanha de Fernando Haddad (PT-SP) ao Palácio dos Bandeirantes intensifica, nesta semana, a busca por dois públicos considerados decisivos: os chamados “eleitores pêndulos” e os cidadãos que tradicionalmente deixam de comparecer às urnas. A estratégia, desenhada por coordenadores petistas, mantém o foco em ampliar a adesão ao ex-prefeito paulistano antes do início oficial da corrida eleitoral no estado.
Pelo mapa traçado pelos estrategistas, o grupo pêndulo representa cerca de 15% do eleitorado paulista. São eleitores que classificam o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como “regular” e que, portanto, poderiam migrar seu voto de acordo com o desempenho das campanhas durante o período de debates e propaganda. A leitura no QG petista é que, se conquistado, esse contingente pode redefinir o cenário da disputa.
Hoje, segundo avaliações internas compartilhadas pela cúpula do partido, Haddad parte de um patamar de aproximadamente 30% das intenções de voto, enquanto o atual governador concentra perto de 40%. O desafio, explicam interlocutores, está em avançar sobre 12 pontos percentuais dentro da fatia pêndula, encurtando a diferença e elevando o nível de competitividade no primeiro turno.
A mesma engrenagem de mobilização prevê ações específicas para reduzir a abstenção, fenômeno que ganhou força nas últimas eleições. A campanha pretende direcionar esforços de comunicação em bairros periféricos da Grande São Paulo e em cidades médias do interior, onde se detecta maior propensão ao não comparecimento. A ideia é reforçar temas como emprego, transporte metropolitano e custo de vida, considerados sensíveis para quem costuma abrir mão do voto.
Em termos práticos, a operação será conduzida por núcleos regionais formados por vereadores, lideranças de movimentos sociais e deputados estaduais. Esses grupos devem organizar rodas de conversa presenciais e lives temáticas para dialogar com quem sinaliza desinteresse pelo pleito. Materiais digitais curtos, distribuídos em aplicativos de mensagens, também estão no roteiro para virar ferramenta de convencimento célere e de baixo custo.
Nos bastidores, a avaliação é que o resultado dessa investida sobre pêndulos e abstenções será decisivo para o posicionamento de Haddad no guia eleitoral gratuito e nos debates televisivos previstos para agosto. Até lá, o partido manterá pesquisas qualitativas semanais para calibrar o discurso e identificar temas que possam atrair o segmento considerado maleável. A expectativa da coordenação é clara: deslocar votos suficientes para chegar à reta final com paridade frente ao governador e, assim, levar a decisão para um eventual segundo turno em outubro.
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