Seis dias depois dos violentos abalos sísmicos que atingiram a Venezuela na quarta-feira, 24/06, o esforço de busca e salvamento continua mobilizando milhares de profissionais e voluntários. O balanço mais recente aponta 6.640 pessoas retiradas com vida dos escombros, número divulgado pelo governo venezuelano nesta terça-feira (30/06).
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 sacudiram uma área localizada a cerca de 200 quilômetros de Caracas com menos de um minuto de diferença, gerando mais de 20 réplicas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Centenas de prédios ruíram ou sofreram danos graves na capital e em La Guaira, uma das regiões mais afetadas.
Com 1.943 mortes confirmadas e 10.571 feridos, o país segue em clima de emergência. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou nesta terça-feira que 26.121 bombeiros, policiais e militares atuam nas operações de socorro, reforçados por 3.660 especialistas vindos de 51 delegações internacionais. Além disso, 15.467 voluntários já se alistaram para ajudar.
Entre as histórias que dão fôlego às equipes, está a do menino Klieber Morán, de aproximadamente 3 anos, resgatado nesta madrugada em La Guaira. Ele passou seis dias sob os escombros do edifício Los Corales Garden 1 até ser localizado por socorristas da Jordânia e transferido de imediato para um hospital.
“Agradeço aos profissionais pelo apoio e a Deus, por ter condições de ver novamente a minha filha”,
disse Manuel Mijares, pai da pequena Marbelis Mijares, de 2 anos, salva após quatro dias soterrada em Catia La Mar. Segundo o Ministério da Defesa, a menina apresenta quadro de saúde estável.
Outro caso emocionante envolve um segurança que continua preso nos escombros de um centro comercial em La Guaira. Equipes se dedicam há mais de 40 horas ininterruptas para retirá-lo com vida. Sua esposa acompanha cada passo do resgate e descreve a expectativa pelo reencontro:
“É realmente um milagre, porque não nos tinham dado esperança de vida. Tinham dito que não havia qualquer pessoa viva naquele local, até que os socorristas lá entraram e encontraram o meu marido com vida.”
O ritmo dos salvamentos, contudo, diminui à medida que o tempo avança. Nos dois primeiros dias foram mais de 2 mil resgates diários; no terceiro dia o total caiu para 731, no quarto para 345 e, ontem, apenas quatro pessoas foram encontradas vivas.
Mesmo diante das estatísticas, relatos como o de Aaron Cantillo, 21 anos, renovam a esperança dos voluntários. O jovem sobreviveu a mais de 100 horas sob concreto e vigas retorcidas.
“Não sou nada. Sou um simples rapaz que passou cinco dias embaixo de um edifício, mas estou aqui, estou presente, graças ao meu Deus.”
Nesta terça-feira, máquinas continuam removendo toneladas de entulho enquanto cães farejadores e drones equipados com sensores térmicos auxiliam na localização de possíveis sobreviventes. As autoridades reforçam que as próximas horas serão fundamentais para quem ainda aguarda socorro.
Além das buscas, as equipes médicas concentram-se na prevenção de doenças infecciosas, distribuição de água potável e medicamentos. Hospitais de campanha estão montados em Caracas, La Guaira e cidades vizinhas para atendimento de emergência.
A expectativa é de que os trabalhos de salvamento prossigam ao longo da semana, enquanto engenheiros avaliam a estabilidade de prédios que permaneceram em pé. O governo também estuda soluções provisórias de moradia para milhares de pessoas desalojadas.
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