Menos de um mês depois de Washington e Teerã assinarem um memorando que previa “o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes”, a região do Golfo Pérsico volta a viver momentos de forte tensão. Autoridades iranianas afirmam que qualquer novo ataque norte-americano levará ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo.
O aviso chega após Teerã acusar os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo firmado em 17 de junho. Fontes ligadas às Forças Armadas iranianas relatam que bases costeiras e instalações civis nas províncias de Hormozgan e Khuzistão teriam sido atingidas por bombardeios norte-americanos. Em resposta, o Irã afirma ter lançado mísseis e drones contra 85 alvos militares dos EUA localizados no Bahrein e no Kuwait, incluindo a área da Quinta Frota e a Base Aérea Ali Al Salem.
“Não quero lidar com eles”, declarou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antes de participar HOJE da cúpula da Otan em Ancara, sinalizando o fim do entendimento com Teerã.
O discurso de Trump enterra, ao menos por enquanto, a perspectiva de pacificação construída no memorando de junho. O documento também proibia “iniciar qualquer operação militar entre si”, cláusula que iranianos dizem ter sido quebrada pelos recentes ataques.
“Os EUA violaram o cessar-fogo”, acusou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, durante sessão extraordinária em Teerã.
Especialistas alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz representaria sério abalo no mercado global de energia, podendo disparar os preços do barril e gerar impacto direto nas economias dependentes do petróleo do Oriente Médio. Analistas lembram que cerca de 20% do consumo mundial transita diariamente pelo corredor marítimo.
Enquanto Washington reforça posições no Bahrein e no Kuwait, a Guarda Revolucionária Islâmica garante ter prontas novas baterias de mísseis costeiros. Diplomatas europeus buscam reativar canais de diálogo, mas reconhecem que a retórica de ambos os lados dificulta qualquer mediação no curto prazo.
A escalada militar ocorre num cenário em que os Estados Unidos já enfrentam pressão internacional por outras frentes de tensão, inclusive sanções impostas ao setor petrolífero iraniano. Para observadores, cada novo movimento aumenta o risco de um confronto direto e prolongado, com repercussões imprevisíveis para a segurança internacional.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









