Uma passageira de nacionalidade espanhola foi presa pela Polícia Federal na madrugada desta quarta-feira, 24/06, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, após ser acusada de injúria racial. O episódio ocorreu dentro de um avião da Latam que havia chegado de São Luís (MA) na noite anterior.
Segundo relatos de passageiros e tripulantes, o voo pousou por volta das 23h de terça-feira (23). Como não havia escadas disponíveis imediatamente, todos foram orientados a permanecer na aeronave até a liberação da pista. Durante a espera, que durou alguns minutos, a mulher teria feito comentários ofensivos ao tentar justificar o atraso.
“O problema é que só há macacos lá fora”
A frase, reproduzida por diversos presentes, gerou indignação. Funcionários solicitaram apoio da segurança aeroportuária e acionaram a Polícia Federal, que aguardou o momento do desembarque para levar a suspeita à delegacia instalada no próprio terminal.
Em nota, a Latam declarou que “inexiste qualquer justificativa para a agressão aos seus funcionários por uma cliente a bordo” e reafirmou posição contrária a qualquer ato de discriminação. A concessionária que administra o aeroporto preferiu não se manifestar.
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A PF confirmou a prisão em flagrante com base na Lei nº 14.532/2023, que equipara injúria racial ao crime de racismo. A legislação estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão, multa, caráter inafiançável e imprescritibilidade. Após a lavratura do auto, a estrangeira passou por audiência de custódia e seguiu para unidade prisional feminina da região metropolitana.
Até o fim da manhã, a defesa da cidadã espanhola não havia sido localizada para comentar o caso. O espaço segue aberto para manifestação.
Passageiros que testemunharam os acontecimentos relataram que a intervenção rápida da tripulação e das autoridades evitou maior tensão dentro da cabine. Alguns gravaram trechos da confusão em celulares, mas as imagens ainda não foram divulgadas oficialmente.
Especialistas destacam que, desde a mudança na lei, a Polícia Federal tem adotado protocolo de resposta imediata em situações de discriminação racial em aeroportos. A conduta reflete o entendimento de que episódios do gênero não se enquadram mais como ofensa de menor potencial, mas como crime grave que fere direitos coletivos.
Guarulhos é o terminal brasileiro com maior fluxo de passageiros internacionais, o que, segundo analistas, reforça a necessidade de ações educativas. Organizações do setor aéreo planejam campanhas de conscientização sobre respeito e diversidade nas próximas férias de julho.
Enquanto o inquérito segue sob sigilo, a estrangeira aguarda decisão judicial. Se condenada, poderá cumprir pena no Brasil e, após o fim do processo, enfrentar possível procedimento administrativo de deportação.
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