O Brasil terá pela frente, nesta segunda-feira (29), um adversário que combina organização tática rígida, transições em alta velocidade e elenco versátil. Vice-líder do Grupo F, atrás da Holanda, o Japão chega à fase de 16-avos da Copa do Mundo de 2026 com números que explicam o respeito que conquistou: a equipe não perde desde 09/09/2025, soma 83% de aproveitamento no ciclo do Mundial e carrega vitórias recentes contra Brasil, Inglaterra e Alemanha.
Hajime Moriyasu, no comando desde julho de 2018, consolidou um 3-4-3 que, sem a bola, vira 5-4-1 compacto. Diferente de formações tradicionais, as alas são ocupadas por atletas de perfil ofensivo, o que dá amplitude sem sacrificar a recomposição defensiva. A pressão alta raramente aparece; o plano é bloquear a intermediária, recuperar a posse e acelerar pelo corredor central com passes curtos e movimentação constante. Foi assim que os Samurais Azuis balançaram as redes contra Tunísia e Suécia na fase de grupos.
No ataque, três nomes formam a espinha dorsal. Ritsu Doan, do Eintracht Frankfurt, alterna função de ala e ponta, oferecendo drible e último passe. Daizen Maeda, do Celtic, explora profundidade e puxa contra-ataques. Já Ayase Ueda, artilheiro do Feyenoord com 26 gols em 40 jogos na temporada pré-Copa, atua centralizado, associa-se como pivô e finaliza com precisão – ele já deixou sua marca no torneio.
O meio-campo também exibe qualidade técnica. Daichi Kamada, hoje no Crystal Palace, circula entre as linhas, infiltra-se na área e aparece como artilheiro eventual. Ao Tanaka e Sano cuidam da saída de bola, mantendo o ritmo de posse quando o Japão opta por controlar o jogo. Pelos flancos, Shunsuke Nakamura e Junya Ito ampliam as opções ofensivas com velocidade e diagonais.
Na retaguarda, Hiroki Ito recuperou-se de lesão sofrida no Bayern de Munique e reassumiu protagonismo no trio de zaga. Mesmo com desfalques de peso – Wataru Endo, Kaoru Mitoma, Takumi Minamino ficaram fora da lista, enquanto Takefusa Kubo e Itakura se lesionaram já na Copa – o coletivo manteve o padrão. A explicação está nos oito anos de trabalho de Moriyasu, que testou 42 atletas no ciclo e conseguiu encaixar peças sem alterar o modelo.
Os números das Eliminatórias Asiáticas exemplificam: em 16 jogos, foram 13 vitórias, dois empates e apenas uma derrota (para a Austrália). Já na Copa, o Japão somou quatro pontos contra Suécia e Tunísia, perdendo só para a Holanda, o suficiente para avançar.
Histórico de Mundiais reforça a evolução. Em 2018, a eliminação dramática para a Bélgica nas oitavas evidenciou fragilidades defensivas. Quatro anos depois, em 2022, os japoneses surpreenderam Alemanha e Espanha na fase de grupos. Agora, em 2026, voltam a encarar o Brasil com confiança após a virada por 3 a 2 no amistoso de outubro de 2025.
A partida de amanhã colocará à prova a solidez defensiva nipônica contra o talento ofensivo brasileiro. Para a Seleção comandada por Carlo Ancelotti, furar o bloqueio japonês e conter a velocidade das transições será fundamental. Já Moriyasu aposta na disciplina tática e em contra-ataques rápidos para buscar vaga nas oitavas.
Com estilos contrastantes, Brasil e Japão prometem duelo de estratégia e intensidade. Quem vencer segue vivo na caminhada rumo ao tricampeonato para os sul-americanos ou à histórica classificação nipônica.
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