Três alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Ildete Mendonça Barbosa, em São José dos Campos, foram suspensos depois de um episódio que chocou a comunidade escolar: um deles colocou um pedaço de vidro no copo de água da professora Michele Ramos durante a aula de terça-feira, 30 de junho. A atitude, presenciada pelos colegas, não foi comunicada imediatamente à educadora, gerando tensão na sala e repercussão fora dela.
Segundo o relato da própria docente, publicado em vídeo nas redes sociais, a turma percebeu a ação, mas apenas sussurrou entre si até que, já com o copo sobre a mesa, alguns estudantes sugeriram que ela não bebesse a água. A gravação foi feita logo após o ocorrido, enquanto a professora aguardava atendimento no Hospital de Clínicas Sul para emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
“O menino simplesmente achou que tudo bem pegar um pedaço de vidro, colocar no meu copo e se exibir para a sala. A turma viu e ficou em murmurinho em vez de me avisar”, contou Michele, ainda abalada.
Ao tomar conhecimento da ocorrência, a Secretaria de Educação e Cidadania convocou as famílias dos três alunos apontados como envolvidos. Eles foram suspensos até o fim do semestre letivo e serão transferidos para outra unidade da rede municipal. O processo também foi encaminhado aos órgãos competentes para as medidas cabíveis.
A gestão municipal informou que prestou assistência imediata à professora, oferecendo acolhimento psicológico e encaminhamento médico. Em nota, reforçou que segue protocolos de segurança e bem-estar para proteger servidores e estudantes.
No hospital, Michele aguardou por mais de duas horas e aproveitou o tempo para refletir sobre problemas que, em sua avaliação, vêm se agravando entre crianças e adolescentes. Ela apontou o uso excessivo de redes sociais e a falta de acompanhamento familiar como fatores que impactam a saúde mental.
“Essas gerações estão totalmente impactadas. Não falamos de transtornos com que a criança nasce, mas de algo que se desenvolve no dia a dia. A presença da família na vida escolar é fundamental”, afirmou.
Como os envolvidos são menores de idade, seus dados permanecem sob sigilo. A Prefeitura lamentou o caso e garantiu monitoramento contínuo, além de suporte psicológico à comunidade escolar para evitar a repetição de episódios semelhantes.
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