Fundação do Câncer diz que melanomas fora da pele são raros, porém mais agressivos e com maior risco de metástase. Boletim recomenda atenção a estruturas extracutâneas e diagnóstico precoce.
Nem todo melanoma está relacionado ao câncer de pele: a doença pode surgir também fora da pele, em estruturas extracutâneas, como o olho; em mucosas, como as da cavidade oral; e em órgãos internos dos sistemas genital e digestório. A Fundação do Câncer esclarece que esses melanomas extracutâneos são menos frequentes, mas costumam ser mais agressivos e letais devido à maior possibilidade de metástase.
A 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, lançada neste mês e intitulada Melanoma: nem sempre na pele, foca no estudo do melanoma de pele e extracutâneo e destaca que conhecer esse tipo de câncer é o primeiro passo para enfrentá-lo. O boletim reúne dados da plataforma info.oncollect, que integra registros hospitalares de oncologia, e apresenta um retrato epidemiológico usado para alertar a sociedade e orientar profissionais de saúde.
“Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas”
O estudo aponta que o enfrentamento do melanoma de pele e extrapele no Brasil requer ações conjuntas: prevenção, diagnóstico precoce, qualificação dos registros, acesso oportuno ao tratamento e articulação entre atenção básica, dermatologia, oftalmologia, oncologia e outras especialidades.
“Controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível, iniciar o tratamento da forma mais oportuna para que as pessoas se tratem e se curem do câncer. O câncer é uma doença que tem cura quando diagnosticado e tratado precocemente”
Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o padrão de tratamento do melanoma é a cirurgia da lesão primária e a remoção dos linfonodos envolvidos. Entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o principal tratamento inicial para o melanoma de pele em todas as regiões do país, representando 84,7% de todos os procedimentos registrados. A Região Sudeste lidera com 89,6% dos casos tratados inicialmente por cirurgia, enquanto o Norte registrou o menor percentual (64,4%).
Os pesquisadores observaram que a maior parte dos pacientes realizou tratamento na própria região de residência, exceto no Centro-Oeste, onde foi registrada maior necessidade de deslocamento para tratamento oncológico (20,2%), sinalizando um gargalo de acesso à assistência especializada.
Quanto às terapias sistêmicas, a quimioterapia continua sendo amplamente adotada no tratamento de melanomas. Em 2016, a Anvisa aprovou no país medicamentos da classe anti-PD-1 — nivolumabe e pembrolizumabe — e mais recentemente a aprovação do tebentafuspe, específico para melanoma ocular metastático/inoperável. Em 2020, a Conitec aprovou no SUS a primeira imunoterapia para melanoma metastático com agentes anti-PD1 (nivolumabe e pembrolizumabe).
“Isso é um marco, já que a resposta clínica, ou seja, a melhora dos pacientes saltou de menos de 10% dos pacientes em quimioterapia para até 70% de melhora clínica dos pacientes em imunoterapia. Isso é revolucionário”
Apesar dos avanços, especialistas destacam que as evidências sobre o uso de imunoterapia no melanoma extracutâneo são escassas e, em alguns casos, “muitas sem nenhuma efetividade”. Novas tecnologias costumam somar-se às terapias antigas; a avaliação inclui eficácia, efetividade no mundo real, custo-efetividade e capacidade de financiamento, além da infraestrutura necessária para incorporação.
Especialistas também apontam que o alto custo dos medicamentos é uma grande barreira ao acesso oportuno no SUS. Segundo o consultor médico que coordenou o estudo, a superação desse gargalo financeiro passa pela possibilidade da compra centralizada dos insumos por parte do Ministério da Saúde e órgãos ligados à pasta.
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