O bolso do motorista sentiu alívio nesta semana: o preço médio do etanol hidratado caiu em 17 Estados e no Distrito Federal, avançou em sete e permaneceu estável no Rio Grande do Norte, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referente ao período de 28 de junho a 4 de julho. Não houve coleta de valores no Amapá.
Nos mais de cinco mil postos verificados em todo o País, o litro do biocombustível passou de R$ 4,10 para R$ 4,08, recuo de 0,49%. Em São Paulo, maior mercado consumidor e produtor, a retração foi de 0,26%, com o litro cotado, em média, a R$ 3,81.
A maior queda proporcional apareceu no Mato Grosso: 3,69%, levando o preço médio estadual ao patamar de R$ 3,65. Já a alta mais expressiva foi observada em Alagoas, onde o litro ficou 5,21% mais caro, atingindo R$ 5,05.
Os extremos de valores também chamaram atenção. O menor preço encontrado em um único ponto de venda foi de R$ 2,99, em São Paulo. Na outra ponta, o valor mais alto registrado chegou a R$ 6,59, em Pernambuco. Quando se considera a média estadual, o Mato Grosso manteve o combustível mais em conta, a R$ 3,65, enquanto Rondônia liderou com o valor médio mais salgado, de R$ 5,56.
Ao comparar etanol e gasolina, a ANP calculou a paridade de preços — indicador utilizado pelos consumidores para decidir qual opção rende mais por quilômetro rodado. Pelo critério tradicional, o etanol é considerado vantajoso quando custa até 70% do preço da gasolina. Na média brasileira, a relação ficou em 61,72%, favorecendo o combustível renovável em oito Estados e no DF.
Os índices de competitividade foram estes: 68,62% na Bahia; 63,59% no Distrito Federal; 64,09% em Goiás; 54,23% no Mato Grosso; 61,42% no Mato Grosso do Sul; 65,92% em Minas Gerais; 62,63% no Paraná; 69,49% em Santa Catarina; e 59,07% em São Paulo.
Executivos do setor observam que o etanol pode ser competitivo mesmo com paridade superior a 70%, a depender do veículo em que o biocombustível é utilizado.
Para especialistas, o desempenho nos preços tem origem na combinação entre oferta das usinas sucroenergéticas, competitividade no mercado interno e comportamento da safra de cana-de-açúcar. Mesmo com oscilações regionais, o cenário apontado pelos números atuais favoreceu motoristas que rodam, principalmente, em Estados com maior produção do combustível — caso de São Paulo, Goiás e Mato Grosso.
Embora o recuo médio nacional tenha sido modesto, a tendência, segundo analistas, tende a estimular um movimento de maior procura pelo etanol nas bombas, sobretudo se a gasolina mantiver patamares elevados. Consumidores flex que monitoram preços diariamente encontram, agora, um ambiente mais favorável para abastecer com o biocombustível, contribuindo, ainda, para a redução de emissões de gases de efeito estufa.
O mercado segue atento às próximas semanas, quando novas oscilações de safra e de demanda poderão influenciar os valores. Por enquanto, a fotografia desta semana revela uma leve vantagem para quem optar pelo combustível renovável.
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