Os Estados Unidos intensificaram a ofensiva militar contra o Irã e mantiveram, pelo nono dia consecutivo, uma série de ataques aéreos que voltou a sacudir o Oriente Médio nesta segunda-feira, 20/07. As investidas ampliam o temor de paralisação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo que abastece o planeta.
Segundo a Guarda Revolucionária Islâmica, mísseis norte-americanos atingiram instalações em várias cidades iranianas, entre elas Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini, logo nas primeiras horas do dia. O grupo também afirmou ter respondido bombardeando aeronaves dos EUA no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, além de recursos militares em Al-Adiri e na Base Aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, e na Síria.
O Comando Central dos EUA confirmou “uma nova onda de ataques” com o objetivo declarado de reduzir a capacidade iraniana de interferir no tráfego comercial. Detalhes sobre alvos específicos não foram divulgados.
“O Estreito de Ormuz é uma via navegável internacional, e eles continuam a atacar navios nessa via”, declarou o secretário de Estado, Marco Rubio. “Enquanto o Irã insistir em controlar uma via navegável internacional, teremos que responder. Os Estados Unidos permanecem sempre abertos a uma solução diplomática.”
Em comunicado paralelo, a Guarda Revolucionária informou que dois petroleiros explodiram quando tentavam atravessar uma “rota sul insegura” em Ormuz, supostamente sob orientação das Forças Armadas norte-americanas. Não foram divulgados nomes das embarcações, nem dados de tripulação ou vítimas, e o relato não pôde ser verificado de forma independente.
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O Kuwait relatou danos a uma usina de dessalinização pela segunda vez em 48 horas, classificando o episódio como ataque direto a infraestrutura civil vital. No Bahrein, sirenes de alerta soaram ao amanhecer, e o Exército kuwaitiano disse ter interceptado drones iranianos.
No domingo, apenas quatro navios atravessaram o estreito, metade do fluxo do dia anterior. Pelo menos três petroleiros e um superpetroleiro aguardam para carregar combustível desde sexta-feira, reforçando a pressão sobre os preços internacionais. O barril de petróleo saltou 2%, ultrapassando US$ 90.
As baixas humanas também aumentam. Militares dos EUA confirmaram a morte de um soldado no norte do Iraque no sábado, durante detonação controlada de explosivos recuperados de um drone iraniano. Com isso, subiu para 17 o número de norte-americanos mortos desde o início do conflito em 28/02, quando EUA e Israel lançaram a primeira ofensiva contra instalações nucleares e de foguetes iranianas.
Analistas alertam que a luta pelo controle de Ormuz aprofunda o risco de inflação global, já que bloqueios prolongados podem comprometer o fornecimento de petróleo e gás. Enquanto Washington promete manter a pressão, Teerã insiste que “nem uma gota” de derivados cruzará o estreito sem garantias de segurança. A escalada, portanto, segue sem horizonte claro de trégua.
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