Negociações na Suíça avançaram em múltiplas frentes, segundo o vice-presidente americano. Vance destacou mecanismos para garantir navegação no Estreito de Ormuz e cessar hostilidades na região.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, avaliou, na segunda-feira (22), que as tratativas diplomáticas conduzidas na Suíça abriram caminho concreto para a conclusão de um acordo de paz abrangente com o Irã. Segundo ele, o diálogo avançou em “múltiplas frentes”, reduzindo tensões regionais e oferecendo garantias à navegação comercial no Golfo.
“As negociações criaram uma boa base para um acordo final bem-sucedido”, ressaltou Vance, citando a implementação de “mecanismos” voltados à manutenção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e à cessação das hostilidades entre Israel e o grupo Hezbollah no Líbano.
Vance deixou Genebra na noite de segunda, mas equipes técnicas dos dois países seguiram reunidas para consolidar os pontos pendentes. O principal avanço prático até o momento foi a assinatura, na semana passada, de um acordo provisório que suspende temporariamente confrontos no território iraniano e estabelece prazo de 60 dias para a definição dos temas centrais, incluindo o futuro do programa nuclear de Teerã.
Como gesto imediato, o Departamento do Tesouro norte-americano publicou, também na segunda, uma licença de 60 dias que relaxa as sanções impostas ao petróleo iraniano. A medida permite que companhias internacionais retomem contratos de compra e venda, desde que respeitem limites de volume e transparência bancária.
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Pelo lado persa, a delegação é liderada por Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento. Ele reiterou o compromisso de Teerã com a segurança do principal corredor de exportação de petróleo do planeta.
“O Estreito de Ormuz continuará sob administração iraniana, em conformidade com as leis internacionais. Esperamos conseguir ativar o estreito novamente, em termos de passagem, e trazer prosperidade de volta à economia regional e global”, declarou Ghalibaf.
A sinalização repercutiu no mercado de óleo brut, que registrou leve recuo nos preços futuros, enquanto armadores monitoraram o fluxo de embarcações. Levantamento da empresa de análises Kpler confirmou 71 travessias durante o fim de semana, volume ainda distante das 100 a 130 operações diárias registradas antes dos confrontos.
Diplomatas envolvidos nas discussões ponderam que as próximas semanas serão decisivas. Além da questão nuclear, permanece em aberto o desenho de um mecanismo de verificação internacional capaz de garantir o respeito ao pacto por ambas as partes. Há, ainda, conversas paralelas sobre o fim dos embargos comerciais remanescentes e sobre a reconstrução de infraestruturas afetadas pelo conflito.
Especialistas em relações exteriores ouvidos reservadamente avaliam que o consenso sobre o Estreito de Ormuz representa passo significativo, uma vez que o corredor marítimo responde por cerca de um quinto da produção global de petróleo. Qualquer bloqueio ou escalada militar tende a impactar os preços de energia e a inflação em vários continentes.
Enquanto diplomatas trocam minutas e ajustes de redação, observadores internacionais apontam que o interesse comum na estabilidade comercial pode funcionar como elemento catalisador. Se o cronograma for cumprido, a previsão é que um documento final seja apresentado até o fim de agosto, encerrando oficialmente esta fase de hostilidades e inaugurando um novo capítulo nas relações entre Washington e Teerã.
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