Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de uma tarifa de 50% sobre diversas linhas de produtos importados do Canadá, incluindo automóveis e itens do setor lácteo. A medida, anunciada como parte da estratégia comercial da Casa Branca, amplia a lista de parceiros tradicionais que passam a enfrentar barreiras alfandegárias mais elevadas no mercado norte-americano.
Apesar de historicamente próximo de Washington, o Canadá entrou no alvo do novo pacote tarifário, sinalizando que o protecionismo defendido pelo atual presidente norte-americano não faz distinção entre aliados ou competidores diretos. Conforme o plano divulgado, o objetivo declarado é tornar mais cara a produção fora do território dos EUA, incentivar a reindustrialização doméstica e gerar receita adicional ao Tesouro por meio de tributos de importação.
A postura protecionista do governo norte-americano não é inédita. O presidente dos EUA manifesta apoio a barreiras comerciais desde a década de 1980. Para ele, as tarifas funcionam como instrumento para: i) aumentar a arrecadação federal; ii) fortalecer cadeias industriais internas; iii) pressionar a China, que envia parte de seus produtos a Washington via terceiros países; e iv) obter vantagens em mesas de negociação que envolvem temas como propriedade intelectual e fornecimento de terras raras.
A decisão de sobretaxar produtos canadenses repercute além da fronteira entre os dois países. No Brasil, o anúncio reaquece discussões sobre o nível de abertura comercial e a condução de conversas bilaterais com os EUA. Temas como a proteção à indústria nacional, a cooperação em mineração de terras raras e a segurança jurídica para investimentos voltam ao centro do debate econômico.
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Nos últimos anos, tarifas brasileiras consideradas altas por interlocutores estrangeiros foram apontadas como entrave para avanços em acordos com Washington. Ao mesmo tempo, preocupações dos EUA com itens como sistema de pagamentos instantâneos e fiscalização ambiental engrossam a pauta de negociações.
Mesmo sem definição de prazos para eventual revisão das tarifas recém-impostas ao Canadá, representantes do setor privado brasileiro observam o desfecho com atenção. Empresários defendem a intensificação do diálogo para evitar que futuras medidas afetem exportações nacionais. Como precedente, citam exceções tarifárias já obtidas em áreas específicas, interpretadas como sinal de abertura para acordos pontuais.
Economistas apontam que a inflação interna nos EUA também pode pressionar o governo a repensar partes da agenda protecionista, especialmente se o repasse de custos ao consumidor impactar a popularidade do mandato em ano eleitoral. Até lá, a expectativa é de novas rodadas de negociações, nas quais questões ligadas a competitividade industrial, sustentabilidade e inovação tecnológica devem permanecer no foco.
Com a nova tarifa, o comércio internacional se vê novamente diante da tensão entre abertura de mercados e políticas de contenção de importações. Observadores do setor destacam que, para parceiros comerciais, a melhor saída continua sendo fortalecer canais de diálogo capazes de conciliar interesses econômicos e garantir previsibilidade às transações bilaterais.
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