O governo dos Estados Unidos anunciou, na terça-feira (23), mais uma rodada de sanções econômicas direcionadas a empresas e indivíduos que, segundo Washington, sustentavam financeiramente o regime cubano. A medida ampliou a campanha da administração do presidente Donald Trump para restringir receitas consideradas decisivas para Havana.
De acordo com o Departamento de Estado, foram incluídas na lista restritiva cinco entidades e uma pessoa física, todas apontadas como peças-chave de estruturas controladas pelo Estado cubano. A ação teve base na Ordem Executiva 14404, assinada em maio, que autoriza punições contra organizações envolvidas em práticas classificadas pelos EUA como repressivas ou ameaçadoras à segurança nacional.
O principal alvo foi o Grupo de Administração Empresarial S.A. (GAESA), conglomerado que opera sob comando das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba e que, para o governo norte-americano, exerce papel central na captação de divisas da ilha. Entre as companhias sancionadas destacou-se a Almacenes Universales S.A. (AUSA), responsável por logística, armazenagem e transporte de cargas no Porto de Mariel, considerado o maior projeto de infraestrutura cubano nas últimas décadas.
A ofensiva também alcançou a RAFIN S.A., vista por autoridades dos EUA como engrenagem vital da administração financeira do GAESA, e o Banco Financiero Internacional (BFI), que processava parte significativa das transações de empresas estrangeiras em território cubano.
Além do setor financeiro, Washington ampliou pressões sobre mineração e siderurgia. Foram punidas a estatal Geominera S.A., vinculada ao Ministério de Energia e Minas, e a Empresa Siderúrgica José Martí – conhecida como Antillana de Acero –, maior produtora de aço bruto do país. Conforme o Departamento de Estado, esses segmentos geravam receitas estratégicas que ajudavam a sustentar estruturas políticas e de segurança consideradas responsáveis por violações de direitos humanos.
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No âmbito individual, as sanções atingiram Annalie Lilliam Rueda Cardero, identificada como membro da família de Alejandro Castro Espín, filho do ex-presidente Raúl Castro. Ela passou a ter bens e ativos sob jurisdição norte-americana bloqueados, mesma restrição aplicada às empresas listadas.
Com a decisão, cidadãos e companhias dos EUA ficaram proibidos de manter transações com os novos alvos, salvo autorização específica do Departamento do Tesouro. A legislação norte-americana também previu punições secundárias a bancos e investidores estrangeiros que optassem por manter negócios com as entidades sancionadas, elevando o risco para parceiros comerciais de Cuba.
Autoridades norte-americanas argumentaram que as sanções buscavam enfraquecer a estrutura financeira que, na avaliação de Washington, garantia a sobrevivência do governo cubano diante da crise econômica interna. Havana, por sua vez, costumava classificar a política de pressão como tentativa de sufocamento financeiro e responsabilizava as restrições pelo agravamento das dificuldades enfrentadas pela população.
O pacote anunciado reforçou o endurecimento adotado desde o retorno de Trump à Casa Branca. Setores considerados estratégicos para a economia cubana, sobretudo aqueles ligados ao GAESA, passaram a enfrentar acesso mais limitado ao sistema financeiro internacional, tendo operações monitoradas ou bloqueadas por bancos correspondentes.
Embora não determinasse prazos para revisão, o Departamento de Estado indicou que novas medidas poderiam ser adotadas caso avaliasse persistência de práticas repressivas em Cuba. Analistas internacionais apontaram que o impacto efetivo dependeria da disposição de parceiros comerciais da ilha em absorver o risco de sanções secundárias impostas pelos EUA.
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