O representante dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas, embaixador Mike Waltz, esclareceu nesta quarta-feira, 24/06, que as sanções econômicas impostas contra o Irã não foram revogadas. De acordo com ele, as medidas punitivas continuam apenas “temporariamente suspensas”, enquanto prosseguem as negociações para um novo entendimento sobre o programa nuclear iraniano.
“Se eles — o Irã — não cumprirem sua parte do acordo, se não negociarem de boa-fé, se não estiverem preparados para finalmente abandonar essa obsessão com o programa nuclear, as sanções serão reimpostas e todas as opções estarão sobre a mesa”, afirmou Waltz, em entrevista televisionada nos Estados Unidos.
O diplomata detalhou que, durante o período de suspensão, os recursos financeiros desbloqueados ficarão depositados em uma conta de garantia sob controle norte-americano. Esses valores, ressaltou, deverão ser direcionados exclusivamente à compra de excedentes da produção agrícola norte-americana — como trigo e soja — por parte de Teerã. A operação tem a intenção declarada de aliviar a crise de abastecimento no país persa, ao mesmo tempo em que beneficia produtores rurais dos Estados Unidos.
Segundo Waltz, a economia iraniana “está devastada” e as Forças Armadas do país sofrem com cortes de orçamento. Em contraste, o embaixador avaliou que a situação no Líbano apresentou avanços, mencionando, como exemplo, conversas diretas entre autoridades libanesas e israelenses.
“Pela primeira vez na história, temos negociações diretas entre o governo libanês e o governo israelense, com o objetivo de finalmente desarmar o Hezbollah”, apontou.
Do lado iraniano, o clima é de ceticismo. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, utilizou a rede social X para responder às declarações norte-americanas. Ele cobrou que Washington cumpra integralmente o memorando de entendimento firmado e evitou concessões quanto aos termos já pactuados.
“As declarações contraditórias de autoridades americanas a respeito do memorando de entendimento para pôr fim à guerra imposta não farão nada para diminuir a desconfiança acumulada dos iranianos e servirão apenas como um lembrete de quebras de confiança passadas”, escreveu Baghaei.
O Irã também exigiu que os Estados Unidos suspendam quaisquer interpretações unilaterais sobre o conteúdo do acordo, sob pena de comprometer a continuidade das tratativas diplomáticas. Observadores em Teerã avaliam que o discurso mais duro sinaliza uma resposta às condições impostas para o uso dos recursos bloqueados.
Especialistas em política internacional observam que a fase atual das negociações se assemelha a um delicado jogo de xadrez diplomático. Enquanto a Casa Branca tenta usar o alívio temporário das sanções como instrumento de pressão para limitar o programa nuclear iraniano, Teerã busca garantias concretas de que os EUA não voltarão a impor punições logo após eventuais concessões.
Até o momento, não há sinal público de um cronograma fechado para a conclusão das conversas. Contudo, diplomatas de ambos os lados indicam que as próximas semanas serão decisivas para definir se o acordo avançará ou se as sanções retornarão em sua forma integral.
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