Os governos dos Estados Unidos, México e Canadá concluíram a revisão de seis anos prevista no Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) sem chegar a um consenso sobre a prorrogação automática do tratado. A reunião, realizada por videoconferência, atendeu ao Artigo 34.7, que determina a avaliação conjunta do pacto comercial a cada seis anos.
Em comunicado oficial, a embaixadora Katherine Tai, que chefia o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), confirmou que Washington decidiu não aprovar a extensão nas condições atuais. Com isso, o mecanismo de renovação automática não foi acionado. O tratado, no entanto, continua em vigor enquanto as partes buscam ajustar pontos considerados sensíveis.
“Os Estados Unidos continuarão a se engajar com o México e o Canadá para abordar as deficiências do acordo e nossos déficits comerciais com esses países”, registrou a nota divulgada pelo USTR.
Entre as principais preocupações apontadas por negociadores norte-americanos estão as regras de origem para o setor automotivo, barreiras em temas trabalhistas e ambientais, além da proteção à propriedade intelectual. Também pesam, segundo Washington, os déficits comerciais acumulados desde a implementação do pacto em 2020.
México e Canadá, por sua vez, sinalizaram preferência por manter a estabilidade do USMCA, argumentando que a integração das cadeias produtivas regionais depende da previsibilidade trazida pelo acordo. Ambos prometeram continuar as tratativas a fim de preservar o fluxo de investimento e de bens entre os três países.
Como próximo passo, Estados Unidos e México marcaram uma terceira rodada bilateral para a semana de 20 de julho, quando pretendem detalhar propostas ligadas à segurança econômica, regras de origem, agricultura e criação de condições de concorrência equitativa. Autoridades canadenses devem ser incluídas em mesas específicas à medida que os temas avancem.
O USMCA entrou em vigor em 1º de julho de 2020, substituindo o antigo Nafta. O texto original prevê validade inicial de 16 anos, até 2036, com possibilidade de prorrogação por mais 16, caso exista consenso trilateral. A revisão de 2026 funciona como primeiro teste da chamada cláusula “sunset”, que autoriza renegociações periódicas ou até a extinção do acordo.
Especialistas em comércio exterior observam que a decisão norte-americana abre espaço para ajustes, mas também adiciona incerteza ao ambiente de negócios. Enquanto os governos negociam, empresas que operam na América do Norte seguem monitorando possíveis mudanças em tarifas, certificações de origem e requisitos trabalhistas, na tentativa de antecipar impactos sobre custos e logística.
Analistas avaliam que o cronograma eleitoral nos três países poderá influenciar o ritmo das discussões. Mesmo assim, diplomatas envolvidos afirmam que há interesse comum em evitar a ruptura do principal marco regulatório do comércio norte-americano, responsável por aproximadamente US$ 1,5 trilhão em intercâmbio anual.
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