O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) confirmou, nesta quarta-feira (08/07), que voltou a realizar ataques aéreos contra alvos no território iraniano. De acordo com o comunicado, a ação teve como principal objetivo enfraquecer a capacidade de Teerã de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo.
A notícia da retomada dos bombardeios surgiu poucas horas depois de relatos de explosões em cidades no sul e no sudoeste do Irã, próximas à costa do Golfo Pérsico. A agência de notícias estatal iraniana mencionou detonações em centros urbanos da província de Hormozgan, mas não divulgou números de vítimas nem detalhes sobre danos materiais.
“As forças do Comando Central dos Estados Unidos conduzem ataques adicionais contra o Irã para degradar sua capacidade de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos estão responsabilizando o Irã pela recente agressão injustificada contra navios comerciais e tripulações civis”, informou o Centcom em publicação na rede X (antigo Twitter).
Os novos bombardeios aconteceram um dia depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, declarar publicamente que considera “encerrado” o acordo de cessar-fogo informal firmado com Teerã no início de junho. Falando em Bruxelas, durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o republicano voltou a adotar um tom severo ao comentar a política externa iraniana.
“Na minha opinião, negociar com eles é perda de tempo. Eles são mentirosos”, afirmou o presidente, chamando ainda o governo persa de “escória” e dizendo que o país é conduzido por “pessoas doentes”.
Autoridades iranianas não se pronunciaram oficialmente até o fechamento desta edição, mas parlamentares em Teerã classificaram as declarações de Trump como “ato hostil” e prometeram “resposta à altura”. Nas redes sociais, apoiadores do governo iraniano compartilharam imagens de sistemas de defesa antiaérea em estado de alerta em cidades costeiras, embora as Forças Armadas do país não tenham confirmado mobilização adicional.
Analistas internacionais destacam que a escalada agrava a tensão no Oriente Médio em um momento já marcado por instabilidade. O estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, e qualquer interrupção no tráfego marítimo pode impactar preços globais de energia. Agências de navegação emitiram alertas a armadores para que reforcem protocolos de segurança enquanto cruzam a região.
O cenário também repercute no mercado financeiro. Logo após a divulgação do ataque, contratos futuros de petróleo tipo Brent subiram 2,3% na bolsa de Londres, refletindo o receio de novos choques de oferta. Já em Washington, líderes do Congresso pediram sessão de emergência para discutir os próximos passos da política externa e eventuais implicações para aliados na região do Golfo.
Especialistas lembram que o último grande confronto militar direto entre Estados Unidos e Irã ocorreu em janeiro de 2020, após a morte do general Qassem Soleimani em Bagdá. Desde então, sucessivas rodadas de sanções econômicas e ameaças militares vêm elevando a tensão sem, contudo, evoluir para conflito aberto. Observadores temem que a recente ruptura do cessar-fogo informal abra caminho para um ciclo prolongado de retaliações.
Até agora, não há confirmação de casualidades civis nos ataques relatados nesta quarta-feira. O Centcom afirmou que divulgará mais informações após avaliação de danos. O Departamento de Estado, por sua vez, reiterou que “toda ação militar é realizada em legítima defesa dos interesses norte-americanos e da segurança da navegação internacional”.
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