O governo brasileiro realizou no último domingo uma operação de resgate que trouxe de volta ao país 13 cidadãos que estavam em trânsito pela Venezuela quando um forte terremoto interrompeu as operações do Aeroporto Internacional de Caracas. A retirada foi possível graças a uma aeronave KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB), que retornaria vazia depois de entregar ajuda humanitária.
A missão, coordenada pelos Ministérios das Relações Exteriores e da Defesa, embarcou os brasileiros que haviam buscado abrigo na Embaixada do Brasil. Antes do voo de retorno, o cargueiro transportou para território venezuelano um hospital de campanha completo da Marinha do Brasil, além de 100 purificadores de água equipados com painéis solares. Cada unidade tem capacidade para filtrar até 5 mil litros por dia, garantindo abastecimento emergencial em áreas onde a infraestrutura entrou em colapso.
O esforço de socorro ocorre após um abalo duplo de magnitude 7,2 e 7,5 atingir o país, no maior tremor registrado desde 1900. Na noite de 26/06, um terceiro tremor, de 4,7, voltou a sacudir a região já devastada. Autoridades venezuelanas divulgaram balanço preliminar que aponta 1.4230 mortos e 3.288 feridos, enquanto cerca de 50 mil pessoas permanecem desaparecidas.
“Os danos materiais estimados chegam a US$ 6,7 bilhões, o equivalente a 6% do PIB venezuelano”,
informou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em nota técnica baseada em modelos sísmicos, imagens de satélite e dados populacionais. O cálculo não inclui os impactos econômicos indiretos provocados pela paralisação de serviços e atividades produtivas.
De acordo com o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, equipes de busca trabalham contra o tempo. Ele confirmou que o acesso a La Guaira, apontada como epicentro da destruição, foi restringido para evitar congestionamentos que atrasem o resgate de vítimas. Quem precisar entrar na cidade terá de apresentar autorização oficial.
A falta de efetivo estatal tem levado moradores a escavar escombros por conta própria na tentativa de encontrar parentes. Voluntários relatam que, em muitos bairros, há poucas patrulhas ou bombeiros disponíveis, mesmo com o discurso oficial de resposta robusta.
Enquanto isso, a comunidade internacional organiza envios de água potável, alimentos e tendas. O Brasil foi um dos primeiros a despachar ajuda, e o Ministério das Relações Exteriores monitora outros 79 brasileiros que vivem permanentemente na região metropolitana de Caracas, mas que até agora não solicitaram repatriação.
As autoridades brasileiras reforçaram que a Embaixada segue de portas abertas para assistência consular e que novos voos de apoio podem ser organizados caso a situação piore. Para quem conseguiu embarcar, o sentimento é de alívio. Ao pousar em solo brasileiro, um dos passageiros resumiu:
“Foi um susto enorme, mas saber que não ficamos desamparados fez toda a diferença.”
O Ministério da Defesa avalia que, se necessário, o hospital de campanha brasileiro poderá continuar em operação por até três meses, com capacidade para realizar cirurgias de baixa e média complexidade, estabilizar feridos graves e oferecer abrigo para até 200 pacientes por dia.
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