A Federação Argentina de Futebol (AFA) voltou ao centro das atenções fora dos gramados. Agentes do FBI e procuradores do Departamento de Justiça dos Estados Unidos apuram, neste momento, se parte das transações realizadas pela entidade no sistema financeiro norte-americano configura lavagem de dinheiro ou fraude bancária.
O inquérito ganhou tração depois que o empresário Guillermo Tofoni entregou documentos sobre operações feitas entre a AFA, presidida por Claudio “Chiqui” Tapia, e a TourProdEnter LLC, comandada pelo produtor teatral Javier Faroni e por sua esposa, Erica Gillette. Segundo os investigadores, a companhia passou a atuar como agente de cobrança dos contratos internacionais da federação, concentrando cifras de patrocinadores e parceiros comerciais.
Relatórios preliminares apontam que, em quatro anos, ao menos US$ 260 milhões circularam por contas da TourProdEnter em cinco bancos norte-americanos — Citibank, Synovus, Bank of America, JP Morgan e PNC Bank. Desse montante, US$ 57 milhões teriam sido repassados a empresas e pessoas físicas sem descrição clara do serviço prestado.
O contrato em vigor entre a AFA e a TourProdEnter, válido até dezembro de 2026, garante à empresa 30 % de toda a receita externa da entidade e uma comissão adicional de 10 % sobre custos logísticos. Entre os negócios sob análise estão acordos de US$ 60 milhões com a Adidas e de US$ 40 milhões com a Warner, além de outras parcerias de marketing.
A investigação teve origem em setembro de 2024, quando a então ministra da Justiça da Argentina, Patricia Bullrich, levantou suspeitas sobre a movimentação de recursos no exterior. O processo foi arquivado em um primeiro momento, mas foi retomado em 2025 pelos procuradores federais Patrick Gushue e Christopher Ting, em Washington, e Michael Berger, na Flórida. Agora, eles coletam depoimentos de ex-funcionários da gestão de Tapia e de integrantes de governos recentes em busca de eventuais irregularidades.
Enquanto isso, Tapia acompanha a Copa do Mundo nos Estados Unidos. Investigado também por suposto desvio de contribuições previdenciárias e impostos na Argentina, o dirigente recebeu autorização judicial para viajar após o pagamento de fiança.
Entre os pontos de interesse do FBI estão o papel de Pablo Toviggino, tesoureiro da AFA, e a real extensão da participação de executivos ligados ao governo argentino nos contratos firmados. A meta dos procuradores é determinar se valores remetidos pela TourProdEnter a terceiros violaram leis de transparência fiscal ou serviram para camuflar pagamentos indevidos.
Fontes próximas ao caso indicam que novas oitivas devem ocorrer nas próximas semanas. Se confirmado o desvio de finalidade, as autoridades dos EUA podem acionar mecanismos de cooperação internacional para solicitar informações bancárias adicionais e, eventualmente, bloquear ativos relacionados.
Embora a investigação siga em fase preliminar, a AFA vê crescer a pressão por explicações detalhadas sobre suas finanças em pleno calendário esportivo. Patrocinadores e parceiros comerciais acompanham o desdobramento com cautela, temendo impactos reputacionais enquanto a seleção argentina segue disputando partidas decisivas no torneio.
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