A Federação Internacional de Futebol (FIFA) divulgou HOJE, 03/07, um relatório que liga o sinal de alerta para o comportamento de torcedores nas redes sociais durante a fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. O documento contabilizou 89 mil publicações abusivas, volume que representa uma elevação de 13 vezes em relação ao total registrado no Mundial do Catar, em 2022.
Os analistas do Serviço de Monitoramento de Proteção às Redes Sociais (SMPS) da entidade rastrearam mais de 6 milhões de postagens entre 11 de junho e 30 de junho. Desse universo, 225 mil conteúdos foram encaminhados à avaliação humana. A equipe decidiu ocultar 181 mil comentários considerados de ódio, além de separar cerca de 1.000 perfis para investigação aprofundada. Mais de 100 casos rompem barreiras legais e já foram encaminhados às autoridades policiais competentes.
“Torcer com paixão é saudável; o que não cabe é transformar a rivalidade em ofensa, racismo ou xenofobia”, frisa o relatório.
Os dados revelam que 11% das mensagens abusivas carregavam teor racista, um salto de três pontos percentuais sobre o índice de 2022. O aumento ganhou destaque depois da partida Brasil x Japão, quando se multiplicaram estereótipos ofensivos contra asiáticos — como referências a “olhos puxados” — e ataques raciais contra brasileiros, incluindo o uso de termos como “macaco”. Torcedores nipo-brasileiros relataram sentir-se pressionados por ambas as frentes.
Jogos envolvendo seleções africanas também foram marcados por insultos sobre “bruxaria”, comentários depreciativos sobre características físicas e gestos racistas em arquibancadas. Adicionalmente, o relatório cita episódios de xenofobia ligados ao fluxo de visitantes nas fronteiras dos países-sede e denúncias de tratamento desigual na entrada dos estádios.
A FIFA reforçou que o SMPS opera em tempo real, conectando inteligência artificial e revisão humana. O sistema identifica palavras-chave, símbolos e imagens potencialmente ofensivos, aciona moderadores e, quando necessário, envolve autoridades de segurança pública.
“Futebol é integração de culturas; a intolerância é que nos afasta”, destaca outro trecho do documento.
A entidade pretende ampliar as parcerias com plataformas digitais para acelerar a remoção de conteúdos nocivos e aprimorar os filtros pré-jogo, evitando que mensagens de ódio ganhem visibilidade durante transmissões ao vivo. Também estão programadas campanhas educativas com atletas, federações nacionais e influenciadores para promover o engajamento positivo.
Especialistas em segurança digital apontam que a escalada de discursos violentos coincide com a maior presença de torcedores on-line e com o crescimento de ferramentas de difusão em tempo real, como transmissões simultâneas em aplicativos de vídeo curto. Eles reforçam que ações coordenadas entre empresas de tecnologia, organizadores de eventos e autoridades policiais são decisivas para reduzir o impacto desses ataques.
Enquanto a bola continua rolando nos gramados da Copa 2026, a expectativa é de que o monitoramento permaneça intenso. Se por um lado a paixão pelo futebol conecta diferentes nações, por outro, o discurso de ódio pode comprometer a experiência dos torcedores e a própria imagem do torneio. O recado da FIFA é claro: racismo e xenofobia não têm espaço no espetáculo esportivo.
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