Milhares de iranianos se reuniram em Teerã no domingo, 05/07/2026, para o segundo dia das cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei. O funeral, iniciado no sábado (04), levou multidões ao complexo da Grande Mosalla, onde autoridades e fiéis prestaram as últimas homenagens ao líder supremo que comandou a República Islâmica de 1989 até sua morte, em 28/02, aos 86 anos.
A televisão estatal mostrou os caixões de Khamenei e de familiares que morreram no mesmo ataque aéreo – uma filha, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses – ladeados pelos filhos Masud, Mostafa e Meysam. A ausência mais comentada foi a de Mojtaba Khamenei, 56 anos, apontado como novo líder supremo. Ferido nos bombardeios de 28 de fevereiro, ele não é visto em público desde então e tem se manifestado apenas por mensagens escritas.
A cerimônia de oração, conduzida pelo aiatolá Ja’far Sobhani, de 97 anos, durou cerca de dez minutos. Na primeira fila, ao lado do caixão coberto pela bandeira iraniana, estavam o presidente Masud Pezeshkian e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, além de altos comandantes militares.
“A nação orgulhosa e invencível do Irã islâmico presta homenagem ao seu mártir”, publicou Ghalibaf na rede social X, ecoando o sentimento de luto coletivo.
Entre os chefes da Guarda Revolucionária presentes, destacava-se Esmail Qaani, líder da Força Qods, responsável por operações externas.
“O fim abençoado do aiatolá foi adequado à sua vida de esforço”, declarou Qaani à TV estatal, reforçando o caráter religioso atribuído à trajetória de Khamenei.
Para garantir a participação popular, o governo decretou feriado no domingo (05) e na segunda-feira (06). Autoridades estimam que até 10 milhões de pessoas passem pelo velório. O Crescente Vermelho ergueu mais de 400 tendas em um grande parque da capital, e caminhões-pipa abastecem a área para amenizar o calor que deve superar 35 °C.
A despedida também tem peso político: Teerã enxerga a mobilização como demonstração de força em meio às negociações diplomáticas em curso com os Estados Unidos após o acordo-quadro firmado no mês passado para cessar o conflito iniciado em fevereiro.
Durante décadas, Khamenei foi figura central na estratégia regional iraniana, apoiando grupos como o Hamas, na Palestina, e o Hezbollah, no Líbano. Especialistas avaliam que a sucessão comandada por Mojtaba pode manter a mesma linha, embora sua prolongada ausência em público levante dúvidas sobre a consolidação de poder.
Enquanto o país se despede de seu líder mais longevo, a segurança permanece reforçada em toda a capital. Blocos de concreto, pontos de verificação e patrulhas adicionais foram instalados para controlar o fluxo de pessoas e veículos ao redor da Grande Mosalla, onde as cerimônias devem prosseguir nos próximos dias antes do sepultamento final.
Com orações, cânticos e filas que se estendem por centenas de metros, Teerã viveu um domingo marcado pela reverência e pela expectativa sobre os rumos políticos do pós-Khamenei, num cenário internacional ainda tenso.
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