O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou como “interferência eleitoral” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a Polícia Federal a cumprir mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, nesta quarta-feira (08/07). Segundo o parlamentar, a medida teria o objetivo de tirar o foco de outras investigações e “dividir o noticiário” em pleno período de pré-campanha.
“Mais uma comprovação para que as pessoas entendam como estamos incomodando o sistema. Estão tentando interferir nas eleições em vários locais do Brasil”
A operação mirou armas, munições, acessórios e documentos de registro que, de acordo com Moraes, apresentavam divergências em relação às informações entregues pela defesa do ex-presidente. O despacho destacou a necessidade de localizar oito armas registradas em nome de Jair Bolsonaro; duas delas — uma pistola Glock 9 mm e uma espingarda calibre 12 Maestro Arms — não haviam sido encontradas.
O Exército comunicou ao STF que o armamento permanecia fora do alcance dos órgãos de fiscalização, o que motivou a nova diligência. Moraes escreveu que a diferença entre o que está nos cadastros oficiais e o que foi efetivamente recolhido “evidencia, em tese, o descumprimento da determinação judicial”.
“A defesa protocola tudo, apresenta documentos, mas ainda assim hoje pela manhã houve busca e apreensão na casa do presidente Bolsonaro”, reclamou Flávio em transmissão ao vivo.
O senador relatou que agentes federais vasculharam todos os cômodos da propriedade e pediram que Laura Bolsonaro, filha caçula do ex-chefe do Executivo, deixasse o quarto durante a revista. Ele destacou, porém, que os policiais “agiram com respeito”.
Os advogados de Jair Bolsonaro sustentam que a espingarda nunca saiu da importadora em Caxias do Sul (RS) e protocolaram pedido para que a empresa confirme a guarda da arma e providencie a entrega ao Judiciário. Após a ação, o advogado João Henrique de Freitas declarou que “nenhum armamento foi apreendido” e que a localização de todas as armas já havia sido comunicada.
Flávio também conectou a busca ao caso do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro e aliado do PL, preso na terça-feira (07/07) por porte ilegal de um fuzil calibre .556 durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga suposta lavagem de dinheiro em postos de combustíveis.
Nas redes sociais, Carlos Bolsonaro, vereador no Rio e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, reforçou as críticas. Ele alegou que a família sofre “perseguição, injustiça e tortura” e comparou a situação do pai à do empresário Fábio Luís Lula da Silva, investigado em caso de fraude no INSS.
“Por favor, parem de torturar meu pai. Ninguém aguenta mais”, escreveu Carlos.
Enquanto isso, o inquérito sobre as armas segue no STF. A defesa do ex-presidente afirma que continuará apresentando documentos para demonstrar a regularidade do acervo. Já Moraes deixou claro que novas diligências poderão ser autorizadas caso persista qualquer inconsistência.
A menos de três meses do início oficial da campanha, o episódio reacende o debate sobre o alcance das decisões judiciais durante o processo eleitoral e intensifica a tensão entre o entorno de Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal.
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