O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reconheceu que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não fará parte da coordenação de sua campanha à Presidência da República em 2026. A informação foi debatida em reunião reservada com integrantes da executiva nacional do Partido Liberal e, segundo relatos, consolida uma fase de distanciamento entre dois dos principais nomes da família Bolsonaro.
De acordo com dirigentes presentes, Flávio ressaltou que a decisão foi “difícil, porém necessária” diante do clima interno. Michelle, por sua vez, teria alegado desconforto com a forma como vem sendo tratada pelo enteado. A tensão transbordou após um telefonema na semana passada, no qual, segundo ela, houve troca de acusações e tom considerado ríspido.
“Ele me maltratou e disse que eu deveria ficar de fora das decisões do partido”, afirmou Michelle a pessoas próximas.
O episódio se somou à renúncia de Michelle à presidência do PL Mulher, formalizada na terça-feira (30/06). Na carta de desligamento, protocolada na sede nacional da sigla, ela justificou o ato como parte de um movimento para dedicar mais tempo aos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se recupera de uma cirurgia realizada em maio. “Refleti muito com Jair sobre o momento que estamos vivendo em nossa família”, escreveu.
Nos bastidores, correligionários admitem que as chances de reconciliação imediata são remotas. Integrantes do diretório paulista, onde Michelle concentrava apoio expressivo, relataram frustração com a saída dela da ala feminina do partido. Eles temem que a ausência da ex-primeira-dama reduza o alcance de eleitores evangélicos, segmento onde Michelle mantinha forte influência desde o mandato do marido no Palácio do Planalto.
Flávio, no entanto, explicou a correligionários que dará continuidade à agenda de viagens pelo Nordeste já programada para julho. Ele pretende intensificar encontros com dirigentes estaduais do PL e segmentos do agronegócio, base estratégica para a candidatura. Questionado sobre a repercussão negativa do afastamento de Michelle, o senador respondeu que “o projeto político é coletivo e não pode ficar refém de questões pessoais”.
Analistas observam que o racha familiar ocorre a menos de um ano das convenções partidárias, etapa decisiva para a consolidação de alianças. No cenário atual, o PL avalia estratégias para compensar a lacuna deixada pela ex-primeira-dama, como reforçar a participação de parlamentares mulheres nas caravanas regionais.
Apesar da turbulência, a cúpula liberal sustenta que a candidatura de Flávio permanece inalterada. Aliados lembram que o senador lidera o partido no Senado e conta com o respaldo do pai, mantendo a legenda unida em torno de seu nome. Resta saber se o distanciamento de Michelle será permanente ou se a dinâmica eleitoral forçará nova reaproximação até o início oficial da campanha, em agosto de 2026.
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