O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou vídeo nesta sexta-feira, 17/07, no qual acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de agir de forma injusta contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A crítica ocorreu poucas horas depois de Moraes determinar a suspensão, por 30 dias, das visitas ao ex-chefe do Executivo, medida tomada porque o ministro considerou insatisfatória a explicação da defesa sobre a divulgação de uma carta em rede social.
De acordo com Flávio, a decisão do magistrado foi mais um episódio de perseguição política.
“Bolsonaro foi enterrado vivo, só com a cabeça para fora da terra, e está tomando chute na cara de Moraes”,
declarou o senador, usando metáfora para ilustrar, segundo ele, a situação jurídica do pai.
No entendimento do parlamentar, a medida disciplina o acesso de familiares e aliados ao ex-presidente, mas também busca limitar suas manifestações públicas.
“Mais uma decisão ilegal, desproporcional, covarde e cruel. O medo de que Bolsonaro, ou um Bolsonaro, volte à presidência do Brasil tirou completamente a sua condição de ser juiz”,
acrescentou.
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Flávio ainda retomou o pleito presidencial de 2022, quando Jair Bolsonaro perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alegando que Moraes teria desequilibrado aquele processo.
“O Moraes desequilibrou as eleições de 2022 e tenta interferir de novo em 2026. É descarada a bizarra estratégia de roubar da Primeira Turma do STF causas que deveriam ser apreciadas pela Justiça especializada: o TSE nas eleições”,
afirmou.
A suspensão das visitas foi adotada depois que a defesa de Bolsonaro informou que o ex-presidente não tinha conhecimento prévio de que o filho leria, em transmissão ao vivo, uma carta na qual o pai reagia às investigações sobre a tentativa de venda de joias oficialmente pertencentes ao acervo da Presidência. Moraes não considerou o argumento suficiente e decidiu restringir o contato presencial.
Flávio Bolsonaro, no entanto, sustenta que a medida viola direitos fundamentais do pai, que está em liberdade, mas responde a diferentes inquéritos no Supremo. “Querem asfixiar qualquer possibilidade de comunicação dele com o povo”, comentou no vídeo, ressaltando que continuará denunciando o que considera abusos.
A decisão de Moraes faz parte do inquérito que apura suposta obstrução de Justiça e influência política sobre investigadores. A defesa do ex-presidente avalia recorrer. Até o momento, o STF não divulgou prazo para reavaliar a restrição, mas o ministro estabeleceu o período inicial de 30 dias.
Embora tenha direcionado as críticas a Moraes, Flávio Bolsonaro evitou mencionar outros integrantes do Supremo. Ele concluiu a gravação pedindo apoio popular: “Vocês é que precisam reagir para que essas arbitrariedades não se transformem em regra”.
A repercussão das declarações dividiu parlamentares e especialistas em direito constitucional. Alguns classificaram as falas como ataque institucional ao STF; outros defenderam o direito do senador de manifestar sua indignação.
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