O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, renovou as críticas à política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante transmissão ao vivo realizada nesta quarta-feira, 08/07. Ao comentar a aproximação brasileira com Pequim, o parlamentar afirmou que o chefe do Executivo “lamba as botas da China e taca pedra nos Estados Unidos”, expressão que, segundo ele, resume a atual diretriz do Planalto na arena internacional.
“Um presidente da República tem que pensar no seu povo, tem que negociar com todo mundo, com Estados Unidos ou com China”, afirmou Flávio.
Falando de Washington, onde cumpre agenda oficial, o senador explicou que prolongaria a estadia em solo norte-americano por mais um dia a fim de ampliar conversas no governo de Joe Biden. Segundo ele, o objetivo principal é defender o agronegócio brasileiro de possíveis sobretaxas de importação anunciadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
“Vim proteger o Brasil das tarifas e também do Lula”, disse o parlamentar, classificando como arriscada a atual dependência econômica brasileira da China.
Na audiência com técnicos do USTR, Flávio relatou ter argumentado que sobretaxas a commodities do Brasil poderiam fortalecer ainda mais o mercado chinês. Ele mencionou projeções que apontam para novo salto no comércio bilateral Brasil-China já em 2025, caso não ocorram ajustes tarifários em Washington.
De acordo com o senador, a única chance de reverter a possível elevação de tarifas passa por sua intermediação direta com a equipe de Katherine Tai, representante comercial dos Estados Unidos. Ele informou que apresentará estudos sobre geração de empregos americanos vinculados à importação de produtos agrícolas brasileiros.
“O cenário muda depois das eleições. A partir de janeiro, haverá alguém sentado na cadeira de presidente da República com capacidade de negociar de igual para igual com os Estados Unidos”, declarou, em referência à própria campanha eleitoral.
Em paralelo à pauta tarifária, Flávio Bolsonaro pretende propor a ampliação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) para todos os países do continente. Para ele, o Brasil deve “puxar a fila” de um eventual bloco continental que inclua Canadá, Estados Unidos, México e demais nações latino-americanas.
Formalizado em 1994, o Nafta abrange hoje apenas os três países da América do Norte e foi substituído em 2020 pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). A ideia de Flávio, entretanto, é aproveitar a estrutura existente para criar um mercado ampliado, no qual tarifas internas sejam reduzidas e regras sanitárias passem a ser unificadas. Em suas palavras, tal medida permitiria ao Brasil diversificar exportações e reduzir a dependência do intercâmbio com a Ásia.
O senador encerrou a transmissão reforçando que continuará buscando apoio de parlamentares republicanos e democratas para sua proposta comercial. Ele prometeu divulgar os resultados das reuniões assim que retornar ao Brasil.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.




