O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, desembarcou HOJE, domingo (05/07), em Washington para cumprir agenda de três dias voltada à defesa dos interesses comerciais brasileiros e do sistema de pagamentos Pix. A principal atividade ocorrerá na terça-feira (07/07), quando ele participará de uma audiência no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) presidida por Jamieson Greer. O encontro foi solicitado para discutir a possibilidade de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e apresentar argumentos técnicos em favor do Pix como infraestrutura financeira soberana.
Flávio pretende demonstrar que uma elevação tarifária penalizaria setores estratégicos do agronegócio, da indústria de transformação e de serviços digitais do Brasil. A projeção é de que uma tarifa adicional provoque impacto superior a US$ 4 bilhões na balança comercial anual entre os dois países. Assessores do parlamentar ressaltam que o esforço diplomático busca “antecipar danos” antes da definição do novo pacote tarifário pelo Departamento de Comércio norte-americano.
A viagem havia sido anunciada em 23 de junho, durante a cerimônia de abertura da Feicorte 2026, feira internacional de corte e genética bovina. Na ocasião, o senador criticou a postura do governo brasileiro nas negociações com Washington e prometeu liderar pessoalmente a defesa do setor privado.
“O presidente atual, por questões ideológicas, vai acabar punindo as empresas brasileiras nessa relação com os Estados Unidos. Vou aos EUA para impedir que tarifas adicionais prejudiquem nossa competitividade”,
disse ele.
O parlamentar também incluiu na pauta a proteção do Pix, plataforma criada em 2020 pelo Banco Central e que, segundo ele, democratizou o acesso dos brasileiros ao sistema bancário.
“Eu vou defender o Pix, que promoveu a inclusão de milhões de brasileiros. O Pix é sagrado para todos nós”,
declarou, antecipando que demonstrará aos norte-americanos como a adoção de sistemas instantâneos de pagamento amplia o mercado para empresas de comércio eletrônico, plataformas e fintechs dos Estados Unidos.
A movimentação provocou reação do presidente Lula, que, em mensagem pública, acusou a família Bolsonaro de tentar “entregar o Pix a interesses estrangeiros”. Flávio rebateu por meio de carta entregue ao USTR, na qual sustenta que o Pix não é empresa concorrente, mas “infraestrutura pública soberana” comparável ao serviço FedNow, operado pelo Federal Reserve.
No documento, o senador argumenta que o volume de transações com cartões emitidos por bancos norte-americanos no Brasil cresceu paralelamente ao avanço do Pix, ampliando o mercado consumidor para gigantes do varejo on-line e meios de pagamento internacionais. Ele acrescenta que a formalização de dezenas de milhões de brasileiros gerou novas oportunidades para companhias estadunidenses.
“A tese de conflito de interesses é insustentável; sanções ou tarifas ao Pix se mostram inadequadas”,
conclui o texto.
A audiência de terça-feira deverá contar com técnicos do Tesouro norte-americano, diplomatas brasileiros e representantes de entidades empresariais. Caso os argumentos sejam acolhidos, a decisão final sobre possíveis sobretaxas só será anunciada no fim de agosto. Até lá, Flávio Bolsonaro pretende manter diálogo com congressistas e lideranças do setor privado dos dois países para buscar apoio às suas propostas.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.




