O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), voltou a ocupar o centro do noticiário político na noite de quarta-feira (25/06) ao rebater publicamente acusações feitas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em dois vídeos divulgados por ela, Michelle relatou ter sido “maltratada e humilhada” pelo enteado durante uma ligação telefônica sobre rumos internos do Partido Liberal.
Nas redes sociais, o parlamentar declarou que nunca teve a intenção de desrespeitar a ex-primeira-dama e, caso isso tenha ocorrido, coloca-se de prontidão para se retratar.
“Nunca maltratei ou humilhei uma mulher. Se fiz em algum momento, peço desculpas”, escreveu Flávio, reforçando “respeito e reconhecimento” ao trabalho de Michelle à frente do PL Mulher e pelo cuidado demonstrado com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador acrescentou que, ainda pela manhã de quarta, tentou contato direto com Michelle para convidá-la a uma reunião articulada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) com lideranças femininas do partido, mas não obteve retorno.
“Fiz questão de ligar pessoalmente. Deixei recado e não fui respondido”, relatou.
Horas depois, Michelle Bolsonaro tornou públicas as divergências. No material postado em suas redes, ela diz ter sido instruída por Flávio a “ficar de fora das decisões do partido” e afirma ter se sentido “apunhalada” quando o senador apoiou o deputado André Fernandes (PL-CE) mesmo após o parlamentar declarar adesão ao pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB). Michelle recordou que Ciro já chamou Flávio e seus irmãos de “corruptos” e “ovos de serpentes nazistóides”.
A ex-primeira-dama defende que o PL, em vez de alinhar-se a Ciro, lance a vereadora Priscila Costa (PL-CE) ao Senado. André Fernandes, por sua vez, afirmou que o posicionamento de Michelle não interfere na estratégia estadual da sigla.
No desabafo, Michelle também mencionou a frequência com que o filho do ex-presidente visita sua casa em Brasília.
“Se ele realmente quisesse meu apoio, já teria falado. Estou na minha e continuarei recolhida”, disse ela.
O episódio expõe arestas internas na família Bolsonaro e no PL, às vésperas da definição de chapas para 2026. Analistas veem na disputa um teste de força entre o capital político de Michelle à frente do braço feminino da legenda e o protagonismo de Flávio, que busca consolidar-se como opção presidencial. Até o momento, nenhum dos dois sinalizou recuo.
Nos bastidores, dirigentes pedem cautela para evitar que o atrito contamine articulações regionais e prejudique a campanha nacional. Enquanto isso, aliados avaliam que o gesto público de pedido de desculpas de Flávio é um movimento para estancar o desgaste e restabelecer a sintonia familiar, considerada vital para a base conservadora do partido.
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