O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou, nesta segunda-feira, 20/07, a estratégia de ampliar sua base partidária para a eleição presidencial de 2026. Durante a convenção estadual da federação formada por União Brasil e PP, em São Paulo, o parlamentar declarou que acredita obter o respaldo formal das duas legendas “muito em breve”. A fala ocorreu antes de o evento confirmar apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e à candidatura de Guilherme Derrite (PP) ao Senado por São Paulo.
“Essa coalizão que foi montada aqui é uma grande inspiração para nós também no âmbito nacional. Espero que muito em breve possamos também caminhar junto com a federação União-PP em âmbito nacional”, afirmou o pré-candidato.
Flávio tenta há meses atrair o União-PP para a aliança que sustenta sua postulação ao Planalto. As negociações esfriaram depois que investigações sobre o caso Master ganharam repercussão, mas o senador segue empenhado em selar um acordo até o encerramento do prazo legal para convenções partidárias, no início de agosto. Interlocutores veem na sintonia com Tarcísio — que integra a ala de governadores considerada decisiva no colégio eleitoral interno dos partidos — um fator que pode destravar as conversas.
Na convenção, o tom do discurso alternou afagos aos potenciais aliados e críticas à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao abordar segurança pública, Flávio acusou o petista de recusar a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo o senador, tal postura indicaria conivência com “vagabundo”, nas palavras dele.
“A democracia vai ser restaurada no nosso país e vamos devolver a paz para a política e a paz para o povo brasileiro”, declarou, sugerindo que o aparato estatal estaria sendo utilizado para perseguir adversários políticos.
Os ataques ao Planalto também incluíram menções à economia. Embora não tenha apresentado números, o senador criticou o ritmo de crescimento e apontou o alinhamento das propostas liberais do PL com a pauta defendida pelo União-PP em votações no Congresso.
Dirigentes da federação, por sua vez, adotaram cautela pública. Nos bastidores, líderes do PP reconhecem que a proximidade com o governo federal — que distribuiu cargos de segundo escalão ao partido — pesa na balança. Já no União Brasil, parlamentares favoráveis a Flávio alegam que a dobradinha com o governador Tarcísio em São Paulo demonstra “viabilidade eleitoral” e poderia repercutir nacionalmente.
Com o relógio eleitoral marcando menos de duas semanas para o fim das convenções, Flávio intensificou o corpo a corpo. Além de São Paulo, reuniões estão programadas para Minas Gerais, Bahia e Amazonas, estados onde o União-PP possui diretórios robustos. A expectativa é apresentar, até o final de julho, um documento conjunto elencando compromissos programáticos nas áreas de responsabilidade fiscal, segurança pública e reforma tributária.
Caso a federação confirme o apoio, a coligação de Flávio passará a reunir PL, Republicanos e União-PP, somando cerca de 200 deputados federais e 25 senadores, segundo contagem interna. O número garantiria tempo expressivo de rádio e TV durante a campanha, além de musculatura para disputar a presidência da Câmara em 2027.
Nos corredores da convenção, aliados celebraram o que chamaram de “sinal verde” da base paulista, mas reconheceram que o cenário permanece fluido. A palavra final caberá às executivas nacionais dos partidos. Até lá, Flávio seguirá repetindo o recado: o apoio é “inspiração” e pode virar realidade “muito em breve”.
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