O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, voltou a confrontar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após ser acusado de “traição da Pátria” por pedir aos Estados Unidos o adiamento de um possível tarifaço sobre produtos brasileiros. As trocas de farpas ocorreram nas redes sociais e mantiveram o clima de tensão política nesta quinta-feira, 02/07.
Na publicação, o chefe do Executivo afirmou que “nossa Pátria não está à venda” e classificou como inaceitável que a família Bolsonaro “submeta o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”. Ele ainda sustentou que qualquer medida para postergar as tarifas seria uma afronta à soberania nacional.
“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria”, escreveu Lula.
Em resposta, Flávio Bolsonaro acusou o presidente de ser o “único que quer o tarifaço” e declarou que seu pedido a Washington busca proteger o setor produtivo brasileiro. O senador viaja aos Estados Unidos no próximo dia 06 de julho para uma série de encontros políticos.
“Meu pedido é simples: não imponham tarifas ao Brasil. Não punam os brasileiros pelos erros do lulopetismo”, registrou o parlamentar.
Flávio também defendeu o Pix, criado no governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e declarou que o sistema de pagamentos “é brasileiro, sem taxa, e ninguém mexe”. Segundo ele, Lula “envergonhou o Brasil perante o mundo” ao, supostamente, “não negociar” para evitar sanções ao país.
A carta que provocou a ira do Planalto foi protocolada em 01/07 no Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Nela, o senador sugere que Washington utilize a Lei Magnitsky para punir “infratores identificáveis” em vez de aplicar a tarifa de 25% sobre as importações brasileiras. O documento também sustenta que um tarifaço às vésperas das eleições beneficiaria Lula, argumento rechaçado pelo governo federal.
Entre os pontos destacados, Flávio Bolsonaro afirma que mais de 50 milhões de brasileiros vivem em áreas “dominadas por narcoterroristas” e diz que Lula “fez lobby” para que facções como PCC e Comando Vermelho não fossem classificadas como terroristas. O Planalto não respondeu a essa acusação específica.
Enquanto a disputa retórica avança, o setor exportador acompanha atentamente. Caso o tarifaço de 25% se confirme, exportadores de aço, alumínio e produtos agrícolas estimam perdas bilionárias. Já no Congresso, aliados de Flávio articulam audiências para discutir o tema, enquanto parlamentares da base governista defendem que o Brasil negocie diretamente com o governo norte-americano.
O embate coloca em evidência a influência da política externa na campanha de 2026. Flávio aposta em uma aproximação com o ex-presidente norte-americano Donald Trump, a quem enviou a carta, enquanto Lula reforça o discurso de soberania e multipolaridade. A próxima cena desse capítulo será em solo americano, onde o senador pretende sustentar, frente a parlamentares republicanos, que o imposto não é do interesse de Washington nem do Brasil.
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