O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, reuniu-se com diplomatas em Brasília nesta terça-feira, 21/07, durante o evento “Debatendo o Brasil”, organizado pela Novo Selo Comunicação em parceria com The Brazilian Report. Na ocasião, o parlamentar retomou dúvidas já levantadas anteriormente pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sobre a segurança das urnas eletrônicas.
Diante do corpo diplomático, o senador mencionou relatórios da CIA que apontariam, segundo ele, a possibilidade de alteração de votos na Venezuela durante o pleito de 2012. Afirmou que a empresa Smartmatic, responsável pelas urnas venezuelanas, teria ajustado a programação dos equipamentos para modificar resultados.
“Só para deixar registrado que muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma origem dessa empresa venezuelana”, declarou Flávio Bolsonaro.
No entanto, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contrariam a afirmação. A Corte Eleitoral informou, em nota divulgada em novembro de 2020, que a Smartmatic nunca forneceu urnas ao Brasil, limitando-se a serviços de conexão de dados e voz. Ainda segundo o TSE, a companhia participou de licitação para fabricar urnas, mas perdeu para a empresa Positivo.
“Em mais de 20 anos de trajetória, o sistema foi reiteradamente testado e comprovadamente isento de quaisquer formas de manipulação, de fraude na totalização de votos ou de quebra do sigilo do voto”, registrou o TSE à época.
Mesmo após apresentar a suposta relação entre as urnas nacionais e a Smartmatic, Flávio afirmou não estar contestando a lisura do processo eleitoral brasileiro. Pediu, contudo, a presença de observadores internacionais nas eleições de outubro como forma de aumentar a transparência.
“O convite para observadores internacionais segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral”, ressaltou o senador em nota.
A fala ecoa estratégia usada por Jair Bolsonaro em julho de 2022, quando, durante reunião com embaixadores, levantou suspeitas—sem apresentar provas—sobre o sistema eletrônico de votação. O encontro foi decisivo para que, em junho de 2023, o TSE o declarasse inelegível por oito anos, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, em decisão tomada por cinco votos a dois.
Especialistas lembram que o indiciamento ou a abertura de investigação não equivalem a denúncia formal, julgamento ou condenação. Até o momento, não há ações judiciais contra Flávio Bolsonaro relacionadas à fala realizada HOJE, mas a declaração aumentou o debate a respeito do impacto de posicionamentos públicos de pré-candidatos sobre a confiança no processo eleitoral.
No Brasil, as urnas eletrônicas começaram a ser usadas de forma gradativa em 1996 e, desde 2000, cobrem 100% do eleitorado. Em sucessivas edições do Teste Público de Segurança conduzidas pelo TSE, grupos independentes de pesquisadores examinam o código-fonte e tentam quebrar a criptografia dos equipamentos. Até agora, não foram identificados riscos estruturais que comprometam a integridade dos resultados.
Com a campanha eleitoral se aproximando, a fala de Flávio Bolsonaro reforça a estratégia de mobilizar a base aliada em torno da pauta da “vigilância cívica” sobre as urnas, ao mesmo tempo em que se distancia de acusações diretas de fraude. Observadores políticos avaliam que o pedido de convidados estrangeiros possa ser interpretado como tentativa de projetar ao exterior uma imagem de zelo pela transparência, tema que deve permanecer no centro do debate até outubro.
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