O senador Flávio Bolsonaro permaneceu por cerca de 60 minutos com o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua prisão domiciliar, das 8h19 às 9h, no dia seguinte à decisão de Michelle Bolsonaro de deixar a presidência do PL Mulher. O encontro foi registrado em relatório da Polícia Militar encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, documento que descreve a rotina do ex-chefe do Executivo entre 25 de junho e 1º de julho.
Segundo o relatório, essa não foi a única visita de Flávio ao pai durante o período de tensão envolvendo a madrasta. Dois dias depois da divulgação do vídeo em que Michelle expôs publicamente divergências internas, o senador já havia estado no endereço, mas ficou apenas 30 minutos. O intervalo maior até esse primeiro encontro e a brevidade da permanência chamaram a atenção de auxiliares que acompanham o cotidiano do ex-presidente.
Flávio, além de filho, é advogado constituído de Jair Bolsonaro, condição que lhe concede acesso facilitado ao imóvel e a possibilidade de acompanhar processos e orientações jurídicas. Nos bastidores, interlocutores afirmam que o parlamentar mantém diálogo frequente com o pai para alinhar estratégias políticas, já que foi apontado pelo ex-mandatário como candidato do grupo à Presidência da República em 2026.
As conversas envolveriam diretrizes de campanha, formação de palanques estaduais e, mais recentemente, a polêmica aliança eleitoral no Ceará, apontada como um dos motivos da ruptura momentânea entre Michelle e Flávio. A ex-primeira-dama defendia um entendimento diferente do costurado pelo senador, o que levou à sua saída da chefia do núcleo feminino do partido.
O relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal detalha horários de entregas de alimentação, visitas médicas e interações com assessores. Nele, constam as entradas e saídas de parlamentares, advogados e familiares autorizados. A presença de Flávio é a mais frequente, superando a dos demais filhos.
Embora os registros indiquem clima de cautela, aliados próximos consideram que a presença assídua de Flávio sinaliza tentativa de preservar a unidade do grupo político. Ao mesmo tempo, aguardam uma eventual reconciliação pública com Michelle, vista como peça-chave na mobilização do eleitorado feminino.
Nos próximos dias, a expectativa é de que o partido anuncie ajustes internos para reacomodar papéis e reduzir o desgaste provocado pelo episódio.
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