O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante um encontro partidário realizado em Vitória, no Espírito Santo, neste sábado, 18/07. Ressaltando sua insatisfação com as novas restrições impostas a Jair Bolsonaro, o parlamentar afirmou que o magistrado seria um “demônio” e questionou sua humanidade.
“Eu perdi as contas de quantas facadas o presidente Bolsonaro já levou, ontem foi mais uma. Não é que Moraes não tem coração, ele parece que não tem alma, parece um demônio usando uma pessoa para fazer mal aos outros”, declarou o senador, sob aplausos de apoiadores presentes.
Flávio ainda sugeriu que parte considerável do eleitorado escolherá senadores favoráveis a um eventual processo de impeachment do ministro. O discurso ocorre menos de 24 horas depois de Moraes endurecer as medidas cautelares contra o ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar determinada no âmbito de investigações sobre tentativa de golpe de Estado.
Na noite de sexta-feira, 17/07, o ministro considerou que Bolsonaro descumpriu determinações judiciais ao redigir uma carta de teor político-eleitoral lida por Flávio e divulgada nas redes sociais. A decisão suspendeu todas as visitas ao ex-mandatário por 30 dias, exceto as de advogados, médicos e fisioterapeutas autorizados. Há também um veto específico, já em vigor desde maio, que impede o próprio Flávio de visitar o pai por 90 dias.
Além da suspensão temporária, Moraes proibiu qualquer visita com finalidade político-eleitoral até o encerramento das eleições de 2026. Também determinou que Bolsonaro se abstenha de divulgar manifestos políticos, direta ou indiretamente, seja por meio de terceiros ou em plataformas digitais. As novas ordens somam-se às cautelares anteriores, como a proibição de contato não autorizado com investigados e a entrega de passaportes.
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Especialistas em direito eleitoral apontam que as restrições podem limitar significativamente a atuação de Bolsonaro como liderança dentro do Partido Liberal. Enquanto apoiadores classificam a medida como censura, juristas favoráveis à decisão argumentam que ela busca evitar reincidência em condutas já vedadas pelo STF.
No evento em Vitória, o pré-candidato reiterou que seguirá mobilizando a base conservadora. Entre faixas, camisetas e gritos de “liberdade”, aliadas ao som de jingles de campanha, Flávio reforçou que “não descansará” até que, segundo suas palavras, “a justiça seja feita”.
A repercussão foi imediata no universo político. Integrantes de partidos de centro e esquerda criticaram o tom das falas, enquanto parlamentares alinhados a Bolsonaro defenderam a liberdade de expressão do senador. Na esfera jurídica, membros do Supremo Tribunal Federal não comentaram oficialmente, mas fontes internas sinalizam que novos descumprimentos poderão acarretar sanções mais severas.
Analistas lembram que Moraes já havia advertido o núcleo bolsonarista sobre a utilização de discursos considerados passíveis de influenciar o processo eleitoral fora dos parâmetros legais. A conjuntura, portanto, aponta para uma escalada de tensões entre o ex-presidente, seu grupo político e o Judiciário, em um momento em que as candidaturas para 2026 começam a ganhar tração.
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