O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, realiza uma operação HOJE, terça-feira (7), para apurar um suposto esquema de direcionamento de contratos na esfera municipal da capital paulista. As ações de busca e apreensão começaram nas primeiras horas da manhã e estão concentradas nos endereços de dois ex-servidores que, segundo os promotores, usaram seus cargos para favorecer determinadas empresas em processos licitatórios.
De acordo com a investigação preliminar, um dos alvos atuava na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras; o outro, na Secretaria Municipal das Subprefeituras. Ambos teriam manipulado editais e critérios técnicos para que as companhias escolhidas pelos investigados saíssem vencedoras, recebendo, em troca, vantagens financeiras consideradas indevidas. Os suspeitos foram exonerados no início do ano, mas, mesmo fora da administração, continuaram sob o radar dos investigadores.
O Ministério Público aponta indícios de que o padrão de vida dos ex-funcionários não condiz com a remuneração recebida no período em que estavam na prefeitura. A quebra do sigilo bancário autorizada pela Justiça revela compras de imóveis, veículos de alto valor e outros bens registrados em nome de terceiros. Para os promotores, essa é uma estratégia clássica de ocultação patrimonial destinada a disfarçar a origem ilícita dos recursos.
Com base nessas suspeitas, os investigados podem responder pelos crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. As equipes do Gaeco recolhem agora documentos, computadores e mídias digitais que possam comprovar o fluxo do dinheiro e a participação de eventuais cúmplices, inclusive empresários beneficiados pelos contratos.
A prefeitura da capital esclareceu que não é alvo de investigação na operação desta terça-feira. A administração municipal também informou que colaborou com as autoridades desde as primeiras requisições de dados, entregando processos administrativos e registros de pregões eletrônicos relacionados aos contratos em análise.
Os promotores não divulgaram o valor total dos contratos sob suspeita, mas afirmam que as fraudes se estenderiam por vários anos e poderiam ter gerado prejuízos milionários aos cofres públicos. A fase atual da operação visa rastrear o destino final dos pagamentos, identificar possíveis laranjas e reunir elementos para a futura apresentação de denúncia criminal.
Depois das buscas de HOJE, os investigados podem ser chamados a prestar depoimento nos próximos dias. Caso a materialidade dos crimes seja confirmada, o Ministério Público pretende pedir o bloqueio imediato dos bens identificados como fruto do esquema, além de requerer o ressarcimento integral do erário.
As apurações seguem em sigilo, mas o Gaeco destaca que novas diligências não estão descartadas, inclusive contra outras pessoas que, eventualmente, tenham participado do direcionamento das licitações.
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