A Oracle eliminou 13% de seus funcionários globais em um ano. A reestruturação, iniciada em março, mira expansão acelerada em inteligência artificial.
A Oracle passou por uma das maiores reduções de pessoal de sua história recente: cerca de 21 mil vagas foram encerradas ao longo do último ano fiscal, o que corresponde a 13% do quadro global de colaboradores. O enxugamento faz parte de um processo de reestruturação iniciado em março e que, segundo a empresa, continuará a ser executado conforme as necessidades de negócio.
No relatório anual entregue aos investidores, a multinacional sediada em Austin, Texas, informou que encerrou o período fiscal com 141 mil funcionários em tempo integral, quantidade bem inferior aos 162 mil registrados no exercício anterior. Em paralelo às demissões, a companhia reconheceu despesas de US$ 1,84 bilhão relacionadas a indenizações e outros custos de reorganização.
A justificativa para os cortes se apoia na priorização de projetos ligados a inteligência artificial (IA). A direção argumentou que a incorporação de soluções baseadas em IA aos processos internos e ao portfólio de produtos tornou a empresa mais eficiente, permitindo reduzir posições que se sobrepunham.
“A adoção e a implantação de tecnologias de IA em nossas operações resultaram e podem continuar a resultar em reduções no nosso quadro de funcionários”, registrou a Oracle no documento.
Mesmo reconhecendo possíveis riscos, a companhia reforçou a estratégia de destinar recursos significativos à área. Caso os esforços não alcancem a escala desejada ou se os concorrentes conquistarem maior aceitação de mercado, existe a possibilidade de os investimentos não serem recuperados. Ainda assim, a corporação avaliou que investir menos do que os pares poderia gerar perda de competitividade.
Os números ilustram o tamanho da aposta. Para ampliar a capacidade de seus data centers voltados a IA, a Oracle estimou gastos líquidos de US$ 70 bilhões neste exercício, acima dos US$ 55,7 bilhões investidos em capital no ano anterior. O aporte engloba contratos que somam centenas de bilhões de dólares, entre eles um acordo de fornecimento de capacidade de computação à OpenAI avaliado em cerca de US$ 300 bilhões ao longo de cinco anos.
O movimento acompanha a tendência de grandes players do setor de tecnologia, como Meta e Amazon, que também realizaram cortes expressivos de pessoal enquanto ampliam orçamentos para infraestrutura de IA. Analistas de mercado, no entanto, passaram a examinar com mais rigor a sustentabilidade dessas despesas diante da pressão sobre margens e lucros.
Para a Oracle, o desafio será equilibrar a necessidade de continuar avançando em IA sem comprometer a rentabilidade. Embora a empresa tenha conquistado contratos relevantes que a colocam no centro do debate sobre computação de alto desempenho, o volume de capital exigido pelo crescimento da demanda por processamento de IA permanece elevado e pode limitar ganhos no curto prazo.
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