O ministro Gilmar Mendes voltou a se posicionar de forma enfática sobre a suspensão da pesquisa eleitoral da AtlasIntel, determinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques. Durante entrevista concedida nesta segunda-feira, 22/06, ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF) classificou a determinação como frágil e sinalizou que a medida deve ser revista quando chegar à Corte máxima.
“Eu acho que um caso como esse vai parar no Supremo Tribunal Federal. Se se mantiver essa jurisprudência Kassio Nunes Marques, certamente não é uma jurisprudência que irá se manter”, afirmou Gilmar.
A pesquisa suspensa havia sido contestada pelo Partido Liberal (PL), que acusou o questionário de induzir respostas negativas contra o senador Flávio Bolsonaro ao mencioná-lo juntamente com Daniel Vorcaro e o caso Banco Master. O julgamento da liminar aberta por Nunes Marques foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha, mantendo a divulgação dos números bloqueada até nova deliberação do plenário do TSE.
Além da crítica à suspensão do levantamento, Gilmar direcionou comentários a outro tema judicial que vem mobilizando o STF: a condução das investigações sobre o Banco Master. Ele classificou como “imprópria” e “erro crasso” a narrativa apresentada pelo ministro André Mendonça, que relatou ter sido abordado por advogados de Daniel Vorcaro com proposta de “delação seletiva”.
“O acordo de colaboração premiada deve ser firmado entre o Ministério Público ou a Polícia Federal e o investigado, acompanhado por seus advogados. Se está participando de conversas ou se está expulsando advogados do processo, isso tem algo de errado”, disse o decano.
A tensão entre Gilmar e Mendonça começou a ganhar força dias atrás, quando ambos divergiram no julgamento sobre a manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel. Na sessão, Mendonça declarou ter recusado a suposta delação recortada, enquanto Gilmar pediu que a apuração siga parâmetros claros para evitar falhas observadas na Operação Lava Jato, citando vazamentos e prisões de familiares como sinais de alerta.
Durante a entrevista, Gilmar também abordou a tentativa do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de implementar um código de ética interno. Embora reconheça a importância do tema, o decano considera que a pauta deveria ter sido tratada primeiro em comissão restrita, sem exposição pública em meio ao que classificou como período de “vulnerabilidade do tribunal”.
“Eu falei isso para o Fachin, na época: aguardemos, não sejamos tão pressurosos”, comentou.
A transparência de agendas e a divulgação de rendimentos externos dos ministros também entraram na discussão. Gilmar declarou que mantém sua rotina pública acessível e não vê impedimento na revelação de valores recebidos por palestras e eventos.
Com mais um capítulo no embate interno, o STF segue no centro do debate nacional acerca dos limites de atuação de seus integrantes e da melhor forma de assegurar previsibilidade às decisões judiciais, ao mesmo tempo em que mantém, por ora, suspensos os números da pesquisa sobre a corrida presidencial de 2026.
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