Gilmar Mendes pediu a Edson Fachin que ministros acessem os dados do celular de Daniel Vorcaro, apreendidos pela PF. O conteúdo vai subsidiar o julgamento do STF na terça (15) sobre relatório da PF e apuração contra Moraes.
O ministro Gilmar Mendes enviou ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e reiterou a necessidade de que todos os colegas tenham acesso integral aos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O material, sob guarda da Polícia Federal, embasa julgamento marcado para a próxima terça-feira (15), quando o Plenário discutirá a validade de relatório da PF e a possibilidade de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
No documento, Gilmar reforçou solicitação apresentada anteriormente por Cristiano Zanin. Ele sustenta que, caso o relator André Mendonça não disponibilize os arquivos, a própria PF seja acionada com urgência para remeter cópias lacradas aos gabinetes. O decano argumenta que o compartilhamento equilibra o acesso à prova e impede que um ministro disponha de informações que os demais não possuem.
“Tal providência é necessária para que seja assegurado a todos os Ministros o conhecimento de todas as informações relevantes para o julgamento.”
O pleito surgiu porque Mendonça detém, desde março de 2026, uma cópia de segurança em disco rígido criptografado enviada pela PF. O relator afirma que nunca abriu o conteúdo, guardando-o como “contraprova” caso os arquivos originais sofram avaria, e lembra que o aparelho físico continua com a Polícia Federal.
Mendonça também alega que a divulgação total dos dados pode afetar investigações ainda em curso, colocando em risco sigilo e efetividade da persecução penal. Ele nega haver desequilíbrio, ressaltando que qualquer parte do processo só integra o feito quando formalmente juntada aos autos.
Em manifestações separadas, Alexandre de Moraes criticou o que chama de levantamento “seletivo e direcionado” de sigilo, mencionando a possibilidade de proteção a “determinado grupo político”. Segundo Moraes, o relator não pode escolher quais documentos ficam acessíveis ao Plenário.
Gilmar Mendes vai além do pedido de compartilhamento. Ele sugere que Fachin reúna todos os procedimentos ligados ao caso Master sob condução da Presidência, evitando decisões contraditórias e dando visão global aos ministros. O decano diz ter dúvidas sobre maturidade do processo para julgamento, destacando pontos ainda nebulosos, como quem figura oficialmente como investigado e qual é o objeto exato da apuração.
Apesar das ressalvas, o calendário de 15 de setembro segue, por ora, mantido. Antes do mérito, a Corte precisará decidir se acolhe requerimento da Procuradoria-Geral da República que pede nulidade do relatório da PF produzido a partir do celular de Vorcaro. O acesso integral aos dados tornou-se, assim, peça-chave nos bastidores do tribunal e pode influenciar diretamente os rumos do julgamento de terça-feira.
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