O senador Eduardo Girão (Novo-CE) reforçou neste sábado, 18/07, a ofensiva contra a possibilidade de siglas identificadas com a direita apoiarem a pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT) ao governo do Ceará. O discurso foi feito durante o Encontro Nacional do Partido Novo, realizado em São Paulo, onde o parlamentar consolidou sua própria postulação ao Palácio da Abolição.
Girão considerou que eventual aliança pró-Ciro abriria caminho para um projeto presidencial do pedetista já em 2030. Segundo ele, colocar a estrutura de partidos conservadores a serviço de um adversário histórico drenaria forças que poderiam ser decisivas em disputas nacionais futuras.
“Tem turma que se diz de direita, que se diz conservadora, apoiando alguém que vai ser uma cobra para nos picar em 2030”, afirmou o senador diante de correligionários.
Sem citar legendas nominalmente, Girão lamentou o movimento que articula União Brasil e PL em torno de Ciro Gomes e classificou o pleito cearense como estratégico para barrar o avanço do pedetista. O parlamentar prometeu liderar uma “resistência” no Estado e pediu engajamento na sua pré-campanha ao governo.
Ao tratar do cenário nacional, o senador voltou a defender o nome do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), para a corrida presidencial. Ele avaliou que o partido precisa ampliar a exposição do mineiro em todo o País para consolidar uma alternativa de centro-direita em 2026.
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“Nós temos que apostar todas as fichas no Romeu Zema, porque ele já mostrou que é capaz”, declarou.
A fala de Girão ecoou a recente controvérsia envolvendo Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama se insurgiu contra a costura conduzida pelo deputado André Fernandes (PL-CE), chancelada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que aproxima o PL de Ciro no Ceará. Michelle argumentou que a aliança contraria o discurso conservador do partido e chamou seu marido de “maior líder da direita”.
A reação pública provocou resposta imediata dos filhos de Bolsonaro. Flávio, Eduardo e Carlos rebateram a madrasta nas redes sociais e frisaram que Fernandes apenas cumpriu diretriz partidária. Para eles, a crítica foi injusta e desrespeitosa.
Mesmo após a reprimenda, Michelle manteve a posição. Em vídeo de quase 30 minutos divulgado recentemente, ela contou ter se sentido “humilhada” por Flávio durante uma discussão telefônica e voltou a manifestar apoio a Girão. A ex-primeira-dama também criticou a retirada da pré-candidatura de Priscila Costa (PL) ao Senado para acomodar a nova configuração eleitoral, questionando por que “só a mulher teria de ceder”.
Nos bastidores, aliados de Girão avaliam que a adesão de Michelle fortalece o palanque do Novo no Estado, mas reconhecem que a cisão interna no PL pode complicar o alinhamento do campo conservador no primeiro turno. O senador, entretanto, assegurou que seguirá buscando o apoio de eleitores identificados com valores liberais e conservadores, evitando ataques pessoais e priorizando, segundo ele, o debate programático.
Com o calendário eleitoral ainda em fase de prévias, o tabuleiro cearense permanece em aberto. Enquanto Ciro tenta recompor alianças locais para recuperar protagonismo, Girão intensifica viagens pelo interior do Estado, apresentando-se como alternativa “nem à esquerda, nem dependente de velhos acordos”. A definição de coligações e candidaturas será oficializada apenas nas convenções partidárias, previstas para agosto.
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