Em 1982, a Hungria aplicou 10 a 1 em El Salvador e criou o maior placar da história das Copas. Quatro décadas depois, nenhuma seleção chegou perto de superar essa diferença de nove gols.
Uma goleada por 10 a 1 da Hungria sobre El Salvador, em 15 de junho de 1982, ainda sustenta o posto de maior diferença de gols já vista em uma partida de Copa do Mundo masculina. Disputado na cidade espanhola de Elche, o duelo deixou uma vantagem de nove gols que permaneceu inalcançada por mais de quatro décadas.
Naquele jogo, a seleção húngara, favorita no Grupo C, dominou do início ao fim. As fragilidades salvadorenhas — agravadas por problemas internos no país e por uma viagem exaustiva até a Europa — ficaram evidentes desde os primeiros minutos. O atacante reserva László Kiss entrou no segundo tempo e, em apenas sete minutos, marcou três vezes, registrando um hat-trick histórico. O gol de honra de Luis Ramírez Zapata não alterou o tom do massacre.
A mesma margem de nove gols apareceu em outras duas ocasiões: Hungria 9 x 0 Coreia do Sul, em 1954, e Iugoslávia 9 x 0 Zaire, em 1974. Nos anos 1950, o time de Ferenc Puskás — conhecido como Mágicos Magiares — já demonstrava força ofensiva, enquanto a vitória iugoslava em 1974 expôs o abismo existente entre seleções europeias consolidadas e estreantes africanas.
Os placares elásticos das primeiras edições também surgiram em fases decisivas. Em 1938, a Suécia derrotou Cuba por 8 x 0 nas quartas de final, estabelecendo a maior goleada de mata-mata. Já em 1950, no Brasil, o Uruguai aplicou 8 x 0 na Bolívia durante a fase de grupos, saldo que impulsionou a Celeste rumo ao título naquela edição lembrada pelo “Maracanazo”.
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O século XXI não ficou completamente livre de desequilíbrios. Na Copa de 2002, realizada em Coreia do Sul e Japão, a Alemanha venceu a Arábia Saudita por 8 x 0. Miroslav Klose, então em ascensão, marcou três vezes de cabeça e iniciou uma trajetória que o levaria ao recorde de gols em Mundiais.
Com a evolução atlética e tática, goleadas tão dilatadas tornaram-se raras. Ainda assim, algumas derrotas marcantes seguem vivas na memória recente. O 7 x 1 sofrido pelo Brasil diante da Alemanha, em 2014, e o 7 x 0 aplicado pela Espanha na Costa Rica, no Catar-2022, provam que o torneio continua sujeito a surpresas desconcertantes.
No futebol feminino, os números são ainda mais expressivos. Em 2019, nos gramados franceses, os Estados Unidos impuseram 13 x 0 à Tailândia, fixando o recorde absoluto de diferença de gols em Copas do Mundo organizadas pela Fifa. A atacante Alex Morgan anotou cinco tentos e reforçou o domínio da seleção norte-americana na modalidade.
Veja o ranking das maiores diferenças de gols em Copas masculinas:
• Hungria 10 x 1 El Salvador (1982)
• Hungria 9 x 0 Coreia do Sul (1954)
• Iugoslávia 9 x 0 Zaire (1974)
• Suécia 8 x 0 Cuba (1938)
• Uruguai 8 x 0 Bolívia (1950)
• Alemanha 8 x 0 Arábia Saudita (2002)
Embora a modernização do futebol reduza essas disparidades, a história dos Mundiais comprova que, sob certas circunstâncias, goleadas épicas continuam possíveis — e inesquecíveis.
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