O governo brasileiro se reuniu HOJE, 02/07, com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em Brasília. O encontro, conduzido pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, ocorreu por determinação dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que em 07/05 solicitaram uma solução negociada para os impasses no comércio bilateral.
Participaram da conversa equipes do Ministério das Relações Exteriores, da assessoria especial da Presidência da República e técnicos do próprio MDIC. Segundo nota oficial, a pauta avançou na análise de seis frentes investigadas pelos norte-americanos no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA:
- comércio digital;
- tarifas preferenciais;
- combate à corrupção;
- proteção à propriedade intelectual;
- etanol;
- desmatamento ilegal.
Márcio Elias Rosa classificou a discussão como “técnica e construtiva”, enfatizando que o diálogo permanece aberto. Ele destacou que os dois países buscam preservar o fluxo de investimentos bilaterais e evitar medidas punitivas que prejudiquem setores exportadores.
Pela manhã, antes da reunião, o Itamaraty encaminhou resposta formal ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, rejeita as conclusões preliminares da investigação norte-americana e contesta a possibilidade de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
“Nossas políticas não são irrazoáveis, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos”
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O texto sustenta que o USTR não demonstrou relação direta entre eventuais normas brasileiras e prejuízos efetivos ao mercado norte-americano. De acordo com o governo, o processo se apoia em divergências regulatórias, sem evidências de práticas desleais.
Internamente, a equipe econômica monitora o impacto potencial da tarifa. Setores de agronegócio, metalurgia e bens de consumo calculam que um aumento de 25% nos impostos poderia reduzir a competitividade de exportações estimadas em US$ 5 bilhões ao ano. Técnicos do MDIC admitiram que um eventual desfecho punitivo exigiria contramedidas, mas reforçaram que o foco permanece na diplomacia.
Os próximos passos incluem uma nova rodada de consultas técnicas entre Brasília e Washington ainda em julho. Até lá, os dois governos devem trocar informações adicionais sobre cada um dos seis temas. A expectativa é que o USTR apresente relatório final até setembro, indicando se manterá, reduzirá ou descartará a aplicação das tarifas.
Embora o ambiente seja tenso, interlocutores próximos a Márcio Elias Rosa avaliam que a interlocução direta com Jamieson Greer demonstra boa vontade política de ambas as partes. Para eles, a antecipação de soluções consensuais poderá evitar um contencioso comercial que afetaria empresas e consumidores nos dois países.
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