Manifestantes depredaram pelo menos cinco coletivos depois que a assembleia dos rodoviários, realizada na tarde desta terça-feira (30) no centro do Rio de Janeiro, manteve a paralisação da categoria. O encontro, esperado para pôr fim ao movimento, acabou marcado por tumulto, ovos atirados contra dirigentes e novos impasses na negociação salarial.
A greve entrou no segundo dia com parte da frota municipal e do sistema BRT fora de circulação. Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a primeira votação da assembleia chegou a aprovar a suspensão do movimento, permitindo o retorno das atividades já na quarta-feira, 1º de julho. A decisão, contudo, provocou forte reação de um grupo que defende a continuidade da paralisação. Revoltados, manifestantes cercaram o carro de som do sindicato, atiraram ovos e exigiram nova deliberação, o que manteve o estado de greve.
Mais cedo, uma audiência de conciliação entre o Sindicato dos Rodoviários e o Rio Ônibus, entidade que representa as empresas, terminou sem acordo. Por sugestão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região e do Ministério Público do Trabalho (MPT), nova rodada de negociações foi marcada para a próxima segunda-feira (06).
No centro do debate está a campanha salarial. A categoria reivindica piso de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e de R$ 5 mil para condutores de articulados, além de vale-alimentação de R$ 1 mil, plano de saúde e odontológico, jornada 5×2, manutenção do passe livre, indenização pelo intervalo de almoço e substituição dos contratos temporários da Mobi-Rio por vínculos sob o regime CLT.
“A proposta apresentada pelas empresas está distante das reivindicações da categoria”, afirmou o sindicato.
Pelos valores oferecidos até agora, o salário dos motoristas de ônibus convencionais subiria de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31, enquanto os condutores de articulados passariam de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. O auxílio-alimentação seria reajustado de R$ 660 para R$ 689. As empresas alegam limites orçamentários e impacto na tarifa.
Apesar da paralisação, o Rio Ônibus informou que todas as garagens permaneceram abertas e aptas para a saída dos coletivos. Mais de mil ônibus circulavam no início da manhã desta terça, número superior ao do primeiro dia de greve. Ainda assim, usuários enfrentaram pontos lotados e maior tempo de espera.
Antes do início do movimento, o TRT-1 concedeu liminar determinando que pelo menos 50% da frota operasse durante todo o período de paralisação, por linha e itinerário, para reduzir os prejuízos aos passageiros. A decisão continua em vigor e o descumprimento pode resultar em multas ao sindicato.
Com a manutenção da greve e a próxima reunião agendada apenas para 06 de julho, passageiros devem ficar atentos a possíveis reduções de oferta nos próximos dias. A Prefeitura informou que segue monitorando o cumprimento da liminar e que agentes da Secretaria Municipal de Transportes acompanham a operação das linhas.
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